Amazônia em alerta: 58% dos brasileiros temem ação dos EUA no Brasil
Após invasão da Venezuela pelos UEA, pesquisa Quaest revela que sentimento de vulnerabilidade cresce nos estados fronteiriços como o Amazonas e Roraima
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/01/2026 às 06:46 | Atualizado em: 15/01/2026 às 06:46
A recente intervenção militar dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro não geram apenas debates diplomáticos em Brasília. Elas acendem um sinal de alerta em toda a Pan-Amazônia. Pesquisa da Quaest desta quinta-feira, 15/01, revela que o cenário de guerra no país vizinho despertou um temor inédito na população brasileira. Há medo de que o Brasil seja o próximo alvo.
Um possível conflito envolveria diretamente e imediatamente a cidade de Manaus. É na capital do Amazonas que fica a sede do Comando Militar da Amazônia (CMA), a maior organização militar do Brasil. É este comando o responsável por proteger a soberania da fronteira do país com a Venezuela, no estado de Roraima.
Por exemplo, no ano passado, quando Maduro ameaçou invadir a Guiana, o CMA deslocou reforço de tropas e tanques para a região.
Opinião dos brasileiros
Segundo o levantamento da Quaest, 58% dos brasileiros temem que os EUA realizem uma operação militar em solo nacional. Esse sentimento é acentuado na região Norte, onde a proximidade geográfica com Caracas e a porosidade dos quase 3 mil quilômetros de fronteira tornam a crise uma questão de segurança doméstica, e não apenas de política externa.
Divisão sobre a intervenção
Apesar do medo de uma escalada, o brasileiro demonstra ambiguidade quanto à legitimidade da ação norte-americana no país vizinho.
Esses são os resultados
- 46% aprovam a operação militar dos EUA na Venezuela.
- 50% consideram aceitável interferir em outro país para prender um ditador.
No entanto, a cautela prevalece sobre o posicionamento oficial: 66% defendem que o Brasil deve se manter neutro no conflito.
Reflexos na fronteira Amazônica
Para o Amazonas, a instabilidade na Venezuela traz preocupações que vão além das estatísticas. A “fronteira norte”, que liga Roraima e Amazonas ao território venezuelano, é vista por especialistas militares como um ponto crítico de pressão migratória e possível atuação de grupos armados remanescentes do regime Maduro.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou recentemente que o Exército monitora a região para garantir a soberania nacional, mas o relatório da Quaest mostra que a confiança da população está abalada. O receio de que o Brasil perca sua “autonomia estratégica” diante do poderio de Washington é uma sombra que paira sobre a floresta.
Leia mais
Venezuela x Guiana: vídeos mostram tensão na fronteira com Brasil
7 cenários da Quaest: só Lula alcança 40% e vence qualquer oponente
Pesquisa diz que Tarcísio tem mais chance que Flávio Bolsonaro contra Lula
Foto: divulgação/Marinha dos Estados Unidos
