O perigoso desafio do prefeito David Almeida

Ao desafiar adversários para uma “trocação” política, David Almeida assume um confronto arriscado que pode ampliar a rejeição e expor fragilidades de sua gestão em Manaus.

O perigoso desafio do prefeito David Almeida

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/01/2026 às 12:54 | Atualizado em: 13/01/2026 às 12:55

A edição de ontem, 12 de janeiro, da Coluna do Cristo, do jornalista Hudson Braga, de bastidores da política, revelou que o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), à sua maneira, resolveu partir para o confronto a seus adversários que o criticam. Para tanto, diz a coluna, o prefeito desafiou os adversários a manchar sua administração.

Impetuoso, característica que marca sua história política, Almeida diz com isso que topa a trocação. Trocação é linguagem corrente dos lutadores de MMA. Ela significa luta aberta, franca, que levanta o público e ganha aplausos. Mas, o fim de uma trocação se dá com vencedor e perdedor feridos, quase sempre gravemente.

O prefeito, então, chamou para esse confronto não apenas um, mas vários ou uma multidão de oponentes. Ou seja: a chance da trocação virar um linchamento é evidente.

Atração perigosa

Por exemplo, no campo político, por conta de sua excitação ao cargo de governador (que acalenta incontidamente), atrai contra si dois fenômenos eleitorais da atualidade: Amom Mandel e Alexandre Salazar.

Tanto o deputado federal quanto o vereador de Manaus potencializam suas redes sociais e veem crescer seus seguidores mostrando problemas da cidade. Ou seja, eles não saíram da superficialidade da gestão. Ainda não partiram para o campo das manchas.

Logo, a trocação não é e nunca será uma estratégia racional, inteligente, sobretudo para quem administra uma cidade nas dimensões e na complexidade de Manaus.

Buracos no caminho do prefeito

Salazar carrega em um problema do momento: buracos nas ruas.

Mandel atacou apenas o que está público, como aterro sanitário do município em área de preservação ambiental, para ficar em um exemplo.

Há razão óbvia para isso. Dos três entes federados, o município é a linha de frente. É a prefeitura que trata dos problemas reais e imediatos da sociedade.

Buraco nas ruas, por exemplo, é assunto do prefeito e não do governador, embora a sede do governo seja na cidade. A União, então, é ainda algo mais abstrato e distante do povo, aparentemente. O governo federal trata de juros, renda, economia, defesa da soberania, enfim, coisas distantes se comparado aos buracos da cidade.

Rejeição que tira o sono

Assim sendo, Almeida mostra que quer usar veneno para tratar como remédio a rejeição que o incomoda.

No fim de 2020 e início de 2021, o governador Wilson Lima (União Brasil) viveu rejeição mais grave. Chegava à casa dos 90%, mas ele a combateu com inteligência emocional e política.

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Arte: Gilmal