Região Norte fica em último em moradias do Minha Casa, Minha Vida

Região ocupa último lugar em contratações do Minha Casa, Minha Vida, evidenciando desigualdade regional.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/01/2026 às 20:06 | Atualizado em: 05/01/2026 às 20:06

O balanço divulgado neste dia 5 de janeiro pelo próprio governo federal sobre os três anos do programa Minha Casa, Minha Vida expõe um dado que contrasta com o discurso de alcance nacional: a região Norte aparece em último lugar no número de moradias contratadas, ficando muito atrás das demais regiões do país no acesso à principal política habitacional brasileira.

Segundo os dados oficiais apresentados pela Secretaria de Comunicação da Presidência, o programa contratou cerca de 1,63 milhão de moradias entre 2023 e 2025.

Desse total, a região Norte ficou com aproximadamente 67 mil unidades, número que evidencia uma distribuição profundamente desigual dos investimentos públicos em habitação.

A comparação regional explicita o desequilíbrio. Mesmo somadas, as contratações do Norte permanecem muito abaixo das regiões mais atendidas.

Moradias contratadas por região (2023–2025)

Sudeste : cerca de 700 mil unidades
Nordeste : aproximadamente 600 mil unidades
Sul : cerca de 180 mil unidades
Centro-Oeste : aproximadamente 120 mil unidades
Norte : cerca de 67 mil unidades

Fonte: balanço oficial do governo federal

Déficit histórico

A baixa participação da região Norte ocorre apesar do déficit habitacional histórico que marca os estados amazônicos, onde a falta de moradia digna se combina com pobreza estrutural, ocupações irregulares, informalidade urbana e dificuldades fundiárias.

Em muitas cidades da Amazônia, o déficit não se resume à ausência de casas, mas inclui moradias improvisadas, áreas alagáveis e ausência de saneamento básico.

No Amazonas, maior estado da federação em extensão territorial, o problema assume contornos ainda mais graves. Municípios do interior convivem com crescimento populacional sem qualquer expansão proporcional da política habitacional, enquanto na capital Manaus persistem ocupações precárias em áreas de risco, encostas e margens de igarapés.

Mesmo assim, os dados oficiais não indicam prioridade diferenciada para o estado.

O próprio governo reconhece que o programa opera com orçamento elevado, que chegou a cerca de R$ 180 bilhões em 2025, além da meta de alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026.

Ainda assim, os números mostram que a região Norte segue recebendo uma parcela residual da política habitacional, reproduzindo um padrão histórico de concentração de investimentos no eixo Sul-Sudeste.

Especialistas apontam entraves como logística complexa, custos de construção mais altos e carência de infraestrutura urbana como obstáculos à execução de projetos na Amazônia.

Movimentos sociais e entidades ligadas ao direito à moradia, porém, avaliam que esses fatores deveriam justificar maior presença do Estado, e não a retração da política pública.

Ao divulgar o balanço como vitrine de realizações, o próprio governo acaba expondo uma contradição central: ao tratar realidades profundamente desiguais com soluções homogêneas, a política habitacional termina por aprofundar injustiças territoriais.

Na prática, o direito constitucional à moradia continua avançando onde o mercado já opera com facilidade, enquanto a Amazônia permanece no fim da fila.

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Foto: Zack Stencil/MCID