Técnicos do TCU que vão acessar documentos do Master serão vigiados

Medidas incluem rastreamento de consultas, controle de credenciais e assinatura de termos de confidencialidade

Publicado em: 02/01/2026 às 21:35 | Atualizado em: 05/01/2026 às 19:05

O Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que adotará um rígido controle de acesso para os servidores que irão analisar documentos sigilosos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master.

As medidas incluem rastreamento de consultas, controle de credenciais, acesso restrito a ambiente seguro — presencial ou eletrônico —, proibição de reprodução não autorizada e assinatura de termos de confidencialidade.

Segundo o BC, o objetivo é garantir o cumprimento do sigilo bancário e empresarial durante a inspeção dos técnicos do TCU, que analisam possíveis falhas no processo de liquidação da instituição. A resposta foi enviada após o ministro Jhonatan de Jesus solicitar esclarecimentos sobre indícios de precipitação na intervenção.

No ofício encaminhado ao tribunal, o Banco Central detalhou os motivos que levaram à decretação da liquidação do Master, entre eles atrasos na entrega de documentos regulatórios, comprometimento da solvência do conglomerado, incapacidade de recompor depósitos compulsórios, operações estruturadas sem geração relevante de caixa e cessões de crédito com ativos sem comprovação de existência.

A autoridade monetária também apontou falhas no gerenciamento do risco de crédito, insuficiência de capital, inexistência de ativos líquidos em fundos de liquidez e prestação de informações incorretas ao órgão regulador. Além disso, informou que, após a liquidação, encaminhou ao Ministério Público Federal uma comunicação de crime por indícios de gestão fraudulenta, operações simuladas e uso de mecanismos para dar aparência de legalidade a transações sem substância econômica.

De acordo com o BC, as investigações indicam que recursos do banco teriam sido reciclados por meio de fundos e empresas interpostas, mantendo o mesmo beneficiário final, o que pode caracterizar fraude financeira e violação às normas de transparência.

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil