Eduardo Bolsonaro está ao alcance da Justiça brasileira?

Deputado cassado deve retornar ao Brasil para reassumir cargo na PF ou enfrentará demissão por abandono.

Publicado em: 02/01/2026 às 15:00 | Atualizado em: 02/01/2026 às 15:00

Se retornar ao Brasil, Eduardo Bolsonaro se expõe ao alcance direto das investigações do Judiciário que ele tanto critica no exterior. Se ficar nos EUA e perder o cargo, ele pode tentar converter a demissão em um novo episódio de “perseguição política” para alimentar sua base de apoio internacional.

Mas, para um político que prega a eficiência e o rigor da lei, ser demitido por abandono de emprego público gera um desgaste de imagem considerável junto ao eleitorado que valoriza a meritocracia no serviço público.

A Polícia Federal (PF), ao publicar o ato, apenas cumpre o rito legal de exigir que o servidor retorne após o término do motivo de seu afastamento (o mandato). Não há previsão legal para que um escrivão exerça funções investigativas ou cartorárias à distância, especialmente residindo fora do país.

O futuro profissional e político de Eduardo Bolsonaro sofreu uma reviravolta administrativa com o ato declaratório no Diário Oficial da União, que ordenou o retorno imediato do ex-deputado ao posto de escrivão. A mensagem é clara: o cargo, conquistado por concurso em 2010, exige presença física e não admite o nomadismo digital que o parlamentar adotou nos últimos meses.

Desde março de 2024, Eduardo fixou residência nos Estados Unidos. Sua estada em solo americano não foi apenas uma licença do mandato que detinha na Câmara; tornou-se uma plataforma de ataques sistemáticos ao Judiciário brasileiro. Em eventos conservadores e reuniões com políticos republicanos, o filho “zero três” de Jair Bolsonaro tem classificado o Brasil como uma “ditadura judicial”, focando suas críticas especialmente nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com o fim de seu afastamento parlamentar no final de 2025, a realidade do serviço público bateu à porta. Para garantir o salário inicial de R$ 14 mil, Eduardo precisa registrar o ponto na delegacia.

A PF não deu margem para interpretações: caso não se apresente, o processo de demissão por abandono de cargo será iniciado, encerrando uma carreira de 15 anos na instituição.

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados