PT nacional convoca José Ricardo a disputar vaga de deputado federal pelo AM

Cúpula do partido convidou formalmente o vereador para disputar uma vaga na Câmara Federal, visando fortalecer a legenda na região.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 18/12/2025 às 16:55 | Atualizado em: 18/12/2025 às 16:56

O vereador de Manaus José Ricardo Wendling recebeu convite formal da direção nacional do PT para sair como candidato a deputado federal pelo Amazonas nas eleições de 2026.

Dessa forma, o convite foi feito em uma conversa com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o secretário-geral do partido, Henrique Fontana.

A conversa ocorreu em Brasília, quando foram discutidos o cenário político do Amazonas, a composição das chapas federal e estadual e as articulações com os partidos que integram a federação PT, PCdoB e PV

O objetivo, segundo ele, é organizar uma chapa competitiva para ampliar a representação da federação partidária na Câmara dos Deputados.

“A reunião com os dirigentes nacionais foi sobre as eleições do ano que vem. O Edinho [Silva, presidente do PT] reafirmou o convite para que eu seja candidato a deputado federal. E eu estou à disposição do partido para organizarmos uma chapa competitiva e garantir representação do Amazonas na Câmara Federal”, afirmou José Ricardo.

Segundo José Ricardo, a direção nacional do PT reconhece que o partido perdeu espaço na região amazônica nos últimos anos e quer reverter esse cenário em 2026.

“A direção nacional deixou claro que o ano que vem é o ano do partido na Amazônia. Estados como Amazonas, Acre, Roraima e Amapá perderam representação, e há um esforço para reconstruir isso”, afirmou.

Meta ambiciosa

O vereador destacou ainda que a direção nacional do partido demonstrou grande empenho em apoiar o Amazonas, um estado que perdeu parlamentares na última eleição.

“É muito bom para nós no Amazonas quando a direção nacional tem esse entendimento. Então, vai ajudar nessa construção e com isso a gente tem uma chapa competitiva”, afirmou.

A meta para 2026 é ambiciosa, visando superar o resultado da última eleição, quando o PT-PCdoB-PV obteve cerca de 150 mil votos, e José Ricardo individualmente conseguiu quase 90 mil votos.

Com o aumento do coeficiente eleitoral, a federação precisará de cerca de 200 mil votos para garantir 80% do coeficiente, o que é visto como a meta a ser alcançada.

Busca por reforço

José Ricardo confirmou ainda o desejo de incorporar nomes de peso para potencializar a chapa. A possibilidade de a ex-candidata indígena à vereadora de Manaus, Vanda Witoto ingressar no PT foi citada como um grande reforço:

“Com certeza é um grande desejo que ela pudesse estar no PT, da minha parte também, também queremos dialogar. A presença dela seria crucial, pois potencializa mais a chapa”, ressaltou petista.

Alianças com PSD e MDB

De acordo com José Ricardo, a principal diretriz e estratégia do PT nacional é a reeleição do residente Lula, e isso dita a política de alianças no Amazonas.

A busca por apoio político em cada estado tem levado o partido a dialogar com legendas de centro que hoje fazem parte da base de apoio de Lula no Congresso, como o PSD, do senador Omar Aziz (pré-candidato ao Governo do Estado), e o MDB, do senador Eduardo Braga (candidato à reeleição.

Importância dos aliados

Dessa forma, o vereador petista explicou que a intenção é buscar todos os aliados possíveis para garantir o apoio para a reeleição do presidente Lula.

“Em função dessa prioridade, o PT no Amazonas não deve lançar candidatura própria ao governo estadual. O apoio para o cargo de governador está condicionado ao diálogo com aliados. E o nome do senador Omar Aziz (PSD) é o que está colocado pelo seu partido para o governo e o PSD estará nesse diálogo com o PT”, reiterou.

Da mesma forma, o senador Eduardo Braga (MDB) já manifestou o desejo de buscar a reeleição ao Senado. Portanto, e ele e o MDB não devem apresentar um nome para o governo. Assim, o apoio do PT a candidatos majoritários no Amazonas depende dessa costura com os aliados.

Chapa própria ao Senado

Apesar da abertura para apoiar aliados na disputa pelo governo, o PT defende ter uma candidatura própria ao Senado Federal. O nome colocado como pré-candidato é o do ex-deputado federal Marcelo Ramos.

 “A defesa é que a gente tenha a nossa própria candidatura do partido ao Senado porque consideramos fundamental que, na aliança de apoio a Lula, o PT garanta sua vaga ao Senado, o que deve ajudar na eleição do presidente da República”, destacou.

Embora o partido busque a unificação para as eleições de 2026, com o objetivo de eleger Lula, ampliar a bancada estadual, eleger um federal e um senador, persistem debates internos, especialmente sobre a relação de membros do PT com o governo estadual do Amazonas.

Governo Wilson Lima

José Ricardo pontuou que o PT do Amazonas precisa resolver a questão de estar no governo Wilson Lima, pois provavelmente estarão em campos opostos na eleição do ano que vem.

A menção ao governador do Amazonas se dá pela aproximação do presidente estadual do PT, deputado Sinésio Campos, que tem nomes de sua indicação no governo do Estado.

Além do mais, disse ele, a construção das estratégias e das chapas será debatida internamente antes da convenção, com a participação das correntes internas, como a Resistência Socialista, grupo de José Ricardo, e em paralelo ao diálogo contínuo com o PCdoB e o PV.

Unidade partidária

Por fim, José Ricardo falou sobre o cenário interno do PT no Amazonas após a eleição partidária, na qual foi candidato e foi derrotado por Sinésio Campos. Ele afirmou que, apesar das divergências, o momento agora é de unidade.

“Terminada a eleição interna, agora é hora de tocar o barco, unir o partido e trabalhar para eleger deputados estaduais, federais, senador e garantir a reeleição do presidente Lula”, concluiu.

Fotos: divulgação