Bolsonaro soube dos riscos da covid-19 desde janeiro de 2020
Documentos da Abin, revelados só agora, apontam que Bolsonaro poderia ter evitado metade das mortes na pandemia
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/12/2025 às 11:18 | Atualizado em: 17/12/2025 às 11:18
O governo Jair Bolsonaro foi alertado ainda em janeiro de 2020 sobre a gravidade da covid-19 e seus possíveis impactos no Brasil.
Os avisos constam em documentos sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), liberados após decisão da Justiça Federal, e estão sendo publicados pelo ICL Notícia.
Os relatórios mostram que o Palácio do Planalto recebeu informações precoces sobre o avanço da doença e sobre riscos à estrutura do sistema de saúde, mas não adotou medidas compatíveis com os alertas.
O primeiro informe, o Relatório 0011, de 8 de janeiro de 2020, já registrava a notificação da Organização Mundial da Saúde sobre 44 casos de pneumonia de causa desconhecida em Wuhan, sendo que “11 estavam em estado grave”.
Poucos dias depois, em 20 de janeiro, a Abin indicou crescimento acelerado da contaminação. Embora os números oficiais falassem em 198 infectados, a agência estimava que os casos reais poderiam chegar a até 2.298.
Diante desse cenário, o documento foi claro ao apontar a “necessidade de reavaliação do risco para o Brasil”.
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Risco de propagação e falta de insumos
Além do avanço da doença, a Abin destacou o aumento do fluxo de pessoas durante o Ano Novo Chinês como fator de risco para a disseminação do vírus.
Já em março de 2020, os relatórios passaram a alertar para o desabastecimento de produtos médico-hospitalares. A agência registrou “preocupação com o desabastecimento desses artigos” e classificou a dependência de importações como uma vulnerabilidade da política de saúde.
O Ministério da Saúde planejava comprar o triplo da média de consumo de EPIs para 90 dias. No entanto, a Abin apontou a dificuldade:
“Parte da compra, no entanto, não pôde ser concretizada, por falta da oferta de máscaras de proteção no mercado”.
Mudança de foco dentro da agência
Com o avanço da pandemia, os documentos indicam alteração na atuação da Abin. Agentes passaram a ser orientados a produzir informes “positivos” sobre a cloroquina, enquanto alertas anteriores deixaram de ser priorizados.
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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
