Reforma tributária é aprovada e Zona Franca de Manaus tem futuro garantido
Texto final simplifica impostos e cria travas de proteção para o polo industrial de Manaus
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 17/12/2025 às 09:07 | Atualizado em: 17/12/2025 às 09:07
A Câmara dos Deputados concluiu a votação da reforma tributária na madrugada deste 16 de dezembro, um marco que promete modernizar a economia brasileira.
Além de unificar tributos, a proposta trouxe definições cruciais para manter a competitividade da Zona Franca de Manaus (ZFM), assegurando os empregos e a relevância econômica da região Norte.
Confira os principais pontos da reforma e como eles impactam o cidadão e a indústria:
A simplificação com o IVA Dual
O sistema atual, com cinco impostos complexos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS), será substituído pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Ele será dividido em dois:
– CBS: Gerido pelo governo federal.
– IBS: Gerido por estados e municípios.
Cesta básica e isenções
Para proteger o poder de compra da população, o texto aprovado garante alíquota zero para produtos da cesta básica nacional.
– Alimentos como arroz e feijão não terão cobrança desses novos impostos.
– Medicamentos e serviços de educação e saúde também terão descontos significativos nas taxas.
O diferencial da Zona Franca de Manaus
A maior preocupação era como manter as fábricas em Manaus sem o antigo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
O texto final trouxe soluções específicas:
– Vantagem garantida: a reforma estabelece na Constituição que os produtos fabricados na ZFM devem manter um tratamento tributário mais favorável do que os produzidos no resto do país.
– Uso do Imposto Seletivo: foi criada uma ferramenta para sobretaxar produtos fabricados em outras regiões que concorram com os itens principais do polo industrial de Manaus. Isso garante que comprar o produto feito no Amazonas continue sendo financeiramente vantajoso.
– Fundo de desenvolvimento: será criado um fundo com recursos federais para investir em infraestrutura e novas tecnologias no Amazonas, diversificando a economia local além das fábricas.
Cashback para baixa renda
A reforma prevê a devolução de parte do imposto pago para consumidores de baixa renda.
Esse “cashback” será aplicado inicialmente em contas de serviços essenciais, como luz e água, e na compra do botijão de gás, aliviando o orçamento das famílias que mais precisam.
Imposto do Pecado
O chamado Imposto Seletivo será aplicado sobre produtos que prejudicam a saúde ou o meio ambiente.
Bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos com excesso de açúcar podem ficar mais caros para desestimular o consumo, seguindo modelos usados em países desenvolvidos.
Período de adaptação
As mudanças não são imediatas. Haverá uma transição gradual que começa em 2026. Até 2033, o modelo antigo e o novo conviverão, permitindo que as empresas e os consumidores se adaptem às novas regras sem sustos nos preços.
Foto: divulgação
