Brasileiro está mais desinteressado de falar de política em redes sociais
Silêncio cresce em grupos de família, amigos e trabalho para evitar conflitos e desgaste pessoal
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/12/2025 às 11:17 | Atualizado em: 15/12/2025 às 11:17
O brasileiro está cada vez menos disposto a falar de política nas redes sociais e o motivo principal é o medo de conflitos em um ambiente percebido como agressivo, especialmente no WhatsApp, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (15 de dezembro).
A pesquisa Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, do InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social, mostra que usuários passaram a evitar debates como forma de preservar relações pessoais e reduzir desgastes.
Esse recuo aparece de forma clara nos grupos de convivência. Nos grupos de família, a presença de conteúdos políticos caiu de 34% em 2021 para 27% em 2024. Já entre amigos, a queda foi mais acentuada, passando de 38% para 24%. No ambiente de trabalho, o índice recuou de 16% para 11%.
Além disso, grupos criados exclusivamente para discutir política também perderam espaço. Eles representavam 10% em 2020 e caíram para 6% em 2024, o que reforça a tendência de afastamento do tema.
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O receio de confronto explica esse comportamento. Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados evitam opinar sobre política porque consideram o ambiente “muito agressivo”. Essa percepção aparece em todas as posições ideológicas.
Diante disso, cresce a autorregulação. Mais da metade dos participantes afirma se policiar diariamente, enquanto metade evita falar de política no grupo da família para não gerar brigas.
O desconforto levou 29% dos respondentes a abandonar grupos nos quais não se sentiam à vontade para se expressar.
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Minoria mantém debate com cautela
Apesar do silêncio predominante, uma parcela ainda se posiciona. Cerca de 12% compartilham conteúdos considerados importantes mesmo que gerem incômodo. Entre os que continuam debatendo, a estratégia mais comum é evitar o espaço coletivo: muitos preferem conversar no privado, usar humor ou restringir o debate a grupos de pessoas com visões semelhantes.
“Os usuários foram desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política no aplicativo”, afirma a diretora do InternetLab, Heloisa Massaro.
Segundo ela, o WhatsApp passou a refletir dinâmicas do mundo offline, em que o cuidado com o conflito molda as interações.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
