Eduardo Bolsonaro murchou com queda da Magnitsky contra Moraes
Deputado reagiu com frustração à revogação de sanções e vê vitória do governo Lula após reaproximação com Trump.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/12/2025 às 18:41 | Atualizado em: 12/12/2025 às 18:42
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com visível decepção à decisão dos Estados Unidos de retirar as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, à esposa do magistrado e a uma empresa ligada à família.
Eduardo fugiu do país e se refugiou nos Estados Unidos desde o início do ano. Apesar disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (PP-AL), quer premiar o filho de Bolsonaro com a cassação do mandato, mas por faltas, mantendo assim sua condição de concorrer em 2026.
A revogação da Magnitsky encerra uma ofensiva internacional articulada por setores do bolsonarismo contra o Judiciário brasileiro e foi interpretada pelo parlamentar como um revés político e estratégico.
Em manifestação pública, Eduardo afirmou ter recebido a decisão “com pesar” e sustentou que a medida enfraquece a pressão internacional contra Moraes.
O deputado vinha tratando as sanções como instrumento político para reforçar a narrativa de perseguição ao pai Bolsonaro e a seus aliados, especialmente no contexto das investigações e condenações relacionadas à tentativa de golpe.
A frustração do parlamentar ocorre no momento em que o governo Lula consolida a reaproximação institucional com Washington, mesmo após o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a diplomacia brasileira conseguiu neutralizar uma iniciativa de claro viés político-partidário, transformando a queda das sanções em mais uma vitória do governo no plano internacional.
Linha do tempo da ofensiva frustrada
A articulação bolsonarista começou com a tentativa de enquadrar decisões do STF como violações de direitos humanos, buscando respaldo na Lei Magnitsky.
Em seguida, Eduardo Bolsonaro intensificou sua atuação nos Estados Unidos, com lobby junto a parlamentares republicanos e interlocutores próximos a Trump.
Com a aplicação inicial das sanções, aliados de Bolsonaro celebraram o episódio como uma suposta vitória política e passaram a explorá-lo no discurso contra o Supremo.
A estratégia, porém, perdeu fôlego à medida que o governo Lula reforçou o diálogo institucional com os EUA, defendendo a soberania brasileira e denunciando a instrumentalização política do caso.
A revogação das sanções marcou o encerramento da ofensiva e expôs os limites da tentativa de internacionalizar disputas internas, deixando Eduardo Bolsonaro isolado em sua aposta externa contra o STF.
Derrota simbólica e política
O episódio escancara o fracasso de uma estratégia que buscou apoio estrangeiro para interferir em conflitos institucionais brasileiros. A reação de Eduardo Bolsonaro, marcada por desalento, contrasta com a avaliação do governo, que vê no desfecho um reforço da legitimidade das instituições nacionais e um recado claro sobre os riscos de transformar a política externa em extensão da disputa ideológica doméstica.
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Foto: Paola de Orte/Agência Brasil
