Em nome de quem Joesley Batista foi à Venezuela convencer Maduro a cair fora?
Empresário esteve em Caracas após Trump pressionar o presidente venezuelano a renunciar.
Publicado em: 04/12/2025 às 11:19 | Atualizado em: 04/12/2025 às 11:20
Joesley Batista foi em nome de si mesmo, mas carregando um recado que interessava diretamente a Trump: convencer Nicolás Maduro a aceitar uma saída negociada do poder. Ele esteve em Caracas no dia 23 de novembro, poucos dias após o telefonema em que o presidente dos EUA pressionou Maduro a renunciar.
A viagem, mantida em sigilo, ocorreu sem mandato oficial, embora membros do governo Trump soubessem da ação. A J&F negou qualquer vínculo estatal: “Joesley Batista não é representante de nenhum governo”, afirmou em nota após a revelação.
O movimento surgiu no auge da escalada americana. Trump ameaça operações terrestres, acusa Maduro de liderar tráfico de cocaína e já ordenou ataques que deixaram mais de 80 mortos no Caribe e no Pacífico. A ofensiva militar coincide com a maior movimentação de navios e aviões dos EUA na região em décadas.
Joesley se soma a outros canais paralelos — como Richard Grenell, diplomatas do Catar e investidores ligados ao petróleo — que tentam evitar um confronto direto. As propostas divergem sobre exílio e prazos, mas miram alguma transição pactuada.
A influência do empresário não nasce do nada. A JBS doou US$ 5 milhões à posse de Trump, possui forte presença nos EUA e mantém histórico de contratos bilionários com o governo venezuelano, construídos com figuras centrais do chavismo como Diosdado Cabello.
Com tensões militares crescendo e Maduro sob sanções pesadas, a interlocução de Joesley abre mais um capítulo da disputa pelo futuro imediato da Venezuela.
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Foto: joesleybatista/Instagram/reprodução
