‘Rebola, bola, carambola, pimbola’

Aos 80 anos, Arthur Neto quer voltar ao Congresso contra o ódio e guerra ideológica e em defesa da ZFM, com mais experiência

Arthur Neto Rebola, Bola, Pimbola. Foto: BNC Amazonas

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/12/2025 às 05:59 | Atualizado em: 02/12/2025 às 07:48

O “Diplomata”, como sempre era conhecido em suas passagens pelo Congresso, Câmara e Senado, quer voltar à tribuna. Esta semana, o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (Republicanos), sentiu sinais de que isso é possível. Foi ao ver seu nome entre os possíveis eleitos a deputado federal no ano que vem. 

O ex-parlamentar aparece com chance de mandato na pesquisa do Ipen, sob encomenda de do G6, consórcio de sites de notícias que reúne BNC Amazonas, Amazonas Atual, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal do Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.

Ontem, nos bastidores da posse da conselheira Yara Lins na presidência do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Arthur concedeu uma entrevista ao BNC Amazonas e falou da pesquisa Ipen/G6. Para ele, o estudo refletiu o conhecimento de seu nome. “As pessoas não esquecem a atividade firme que tive em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM)”, destacou.

Nesse sentido, a partir da memória de seu eleitor e numa retórica que mistura pragmatismo com desdém pela atual guerra cultural, Arthur deixa claro: sua aposta é que o Congresso sente falta de quem sabe fazer política “no varejo” para garantir grandes vitórias “no atacado”.

“Defesa Intransigente”

Para quem cobriu o Congresso na década de 2000, a fala do ex-senador e ex-deputado remete aos tempos em que ele ocupava a liderança do PSDB e travava embates homéricos na tribuna.

“O conhecimento do meu nome [vem das] pessoas que não esquecem a atividade firme que eu tive em defesa da Zona Franca, em defesa do Amazonas. Não ficava nada sem resposta, fosse quem fosse o dirigente do país”, afirmou Arthur.

A frase carrega um peso estratégico. Ao dizer “fosse quem fosse”, Arthur tenta vacinar sua imagem contra o partidarismo cego, lembrando ao eleitor que sua lealdade primária era com o Estado, não com siglas — uma narrativa essencial para sobreviver em um Amazonas que oscila entre o conservadorismo e o pragmatismo econômico.

O “Toma lá, dá cá” Republicano

O ponto mais revelador da entrevista de Arthur é quando ele descreve seu método de trabalho legislativo, o qual pretende reativar. Diferente da “política do pix” ou das emendas secretas que dominam o noticiário atual, Arthur evoca a articulação clássica dos congressistas.

Ele descreve sua técnica de aglutinação de apoio como um sistema de obrigações mútuas: “Fazer favor aos estados deles, para que eles se sentissem obrigados a fazer favor ao meu estado”.

Essa declaração expõe a aposta de Arthur na experiência. Ele sinaliza que o Congresso atual, muitas vezes paralisado por barreiras ideológicas, carece da figura do “grande negociador”. 

“Daqui para frente, vamos fazer a mesma coisa, com mais experiência e com mais certeza”, promete, sugerindo que a novidade da próxima legislatura pode ser, ironicamente, o retorno aos métodos tradicionais de costura política.

“Rebola, bola, carambola” – o combate ao ódio

Se a estratégia é antiga, o inimigo é novo. Arthur define como prioridade “normalizar essa história do ódio”. O ex-senador, que já foi um dos oradores mais ferrenhos do Congresso, agora adota um tom de estadista acima da rixa Lula-Bolsonaro.

Com uma característica peculiar, ele desqualificou a obsessão atual por rótulos. “Direita, esquerda, rebola, bola, carambola, pimbola… eu não sou chegado a isso”.

Na sequência, disse a que perfil de liderança pretende se alinhar caso volte à Câmara dos Deputados.

“Eu sou chegado a saber a qualidade da pessoa que vai executar determinada tarefa. Se a pessoa é capaz, ela merece o meu apoio”.

Foto: BNC Amazonas