Rainha ‘religa’ águas dos rios Amazonas e Congo

Gesto simbólico da rainha Diambi Kabatusuila sela a reconexão histórica entre dois dos maiores rios do planeta e reforça os vínculos culturais entre África e Amazônia.

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 01/12/2025 às 10:37 | Atualizado em: 01/12/2025 às 14:47

As águas dos rios Amazonas e Congo irão se reencontrar amanhã (2 de dezembro), quando a rainha da República Democrática do Congo, Diambi Kabatusuila, adicionar ao encontro das águas, nas proximidades de Manaus, uma porção de águas do rio africano.

A geologia atesta que Amazonas e Congo formavam um único rio até antes da fragmentação do supercontinente Pangeia, entre 175 milhões a 200 milhões de anos.

Para a rainha, o simbolismo do gesto é histórico e afetivo, porque representa o entrelaçamento dos ecossistemas e culturas do rio Amazonas, que nasce no Peru e atravessa três países até desaguar no oceano Atlântico, e os do Congo, nasce na Zâmbia, na África central, e passou por seis países antes de alcançar o mesmo oceano.

“A rainha está com uma garrafa com água do rio Congo que será derramada no rio Amazonas. Assim, ela simboliza a religação entre o Amazonas e Congo que são irmãos”, disse o jornalista Denny Silva, da assessoria de imprensa de Diambi.

Com presença constante em fóruns e conferências internacionais, a rainha é reconhecida por seu papel ativo nas discussões sobre meio ambiente, justiça social e herança africana.

Sua visita ao Brasil reafirma o compromisso com o fortalecimento dos laços históricos e culturais entre os povos africanos e latino-americanos.

Terceira visita

A rainha está no Brasil pela terceira vez e encerra esta visita em Manaus, na quarta-feira, depois de encontros com autoridades do estado, do município e representantes de ongs, com foco no fortalecimento dos laços culturais entre o Amazonas e o seu país.

Antes, ela esteve em Porto Alegre, São Paulo, Goiás, Belo Horizonte e Brasília.

No Distrito Federal, Diambi Kabatusuila foi recebida pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, e pela escritora Conceição Evaristo.

Como embaixadora global do povo bantu, Diambi promove o diálogo intercultural e a defesa de causas sociais.

A sua visita ao Brasil reforça iniciativas de educação, empoderamento feminino e preservação ambiental.

Jantar com vista para Teatro Amazonas

À noite, ela participa do jantar cultural “Experiência amazônica”, no restaurante Roseiral (no largo de São Sebastião, entorno do Teatro Amazonas, centro de Manaus).

O evento encerra as atividades anuais dos projetos de moda indígena, arte visual de deficientes visuais e dança indígena do grupo Kaxiri na Kuia.

A visita da Diambi Kabatusuila a Manaus expressa o interesse da República Democrática do Congo em dialogar com a história de afrodescendentes e com a diversidade cultural dos povos amazônicos.

A moda, a culinária, a música e as artes visuais indígenas amazónicas, assim como as das culturas africanas, constituem-se peças fundamentais na luta histórica contra as formas de colonialismo de ontem e de hoje.

Congo dividido

Vale ressaltar que hoje a República Democrática do Congo está no lado leste do rio Congo, colonizada pela Bélgica, e a República do Congo no lado oeste, colonizado pela França.

Essa divisão ocorreu no final do século 19, quando as potências econômicas europeias realizaram a partilha do continente africano, sempre à revelia das populações locais.

Foto: divulgação