Imagem de câmeras de PM na matança do Rio expõe razão da resistência

Imagens de fardas flagraram policiais furtando fuzil, reforçando a urgência na adoção de um controle externo efetivo.

Imagem de câmeras de PM na matança do Rio expõe razão da resistência

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 29/11/2025 às 10:14 | Atualizado em: 29/11/2025 às 10:14

A megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025, já é um marco trágico na história do estado com suas 122 mortes. No entanto, um desenvolvimento subsequente expõe de forma crítica um dos maiores dilemas da segurança pública: a resistência de parte da Polícia Militar (PM) à transparência.

O que era para ser uma ação permanente contra o avanço do Comando Vermelho (CV) e a captura de lideranças como “Doca”, que conseguiu escapar, resultou na prisão de cinco policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque neste dia 28 de novembro.

A prisão foi efetuada pela corregedoria da própria PM e está sendo investigada pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar.

Câmeras na farda denunciam

A peça-chave para desvendar as irregularidades não veio de denúncias anônimas, mas sim da tecnologia: a análise das câmeras operacionais portáteis acopladas aos agentes.

Foi o registro em vídeo que forneceu indícios de crimes militares, incluindo o grave delito de furto de fuzil, que seria posteriormente revendido a criminosos.

Esse evento demonstra a eficácia inegável da tecnologia de videomonitoramento como ferramenta de controle externo e interno.

A câmera, nesse caso, não apenas registrou a ação policial, mas também revelou a conduta criminosa de agentes em serviço.

A resistência velada

A importância das câmeras de farda é inversamente proporcional à vontade de diversas corporações em adotá-las.

O caso no complexo do Alemão/Penha sublinha o principal argumento dos defensores dos equipamentos: a transparência forçada inibe desvios de conduta e garante a cadeia de custódia da prova.

Durante a mesma operação, a Polícia Civil informou ao STF que 32 das câmeras mobilizadas ficaram inoperantes devido a uma suposta “falha em uma doca de carregamento”.

O problema levanta suspeitas e cria “lacunas graves na transparência”, como apontado por especialistas.

O resultado da investigação da corregedoria comprova que o “horror” que muitas PM estaduais têm em relação à adoção plena das câmeras não é um mero problema logístico ou de custo. É o receio de que a prestação de serviço seja gravada e que as imagens sirvam como prova de crimes cometidos por aqueles que deveriam zelar pela lei.

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O contexto da letalidade

A operação, autorizada pela Justiça (conforme o vídeo do juiz que citou a investigação de tortura e hierarquia do tráfico para ordenar prisões), estava sob o escrutínio da arguição de descumprimento de preceito fundamental 635, a “ADPF das favelas”.

Diante de 122 mortes, questionamentos sobre o uso progressivo da força e a execução dos mandados de prisão, a ação interna da corregedoria serve como um ponto de partida para a responsabilização.

No entanto, a crítica objetiva permanece: a prisão de policiais por roubar fuzis em uma operação que vitimou um número recorde de pessoas demonstra uma falha sistêmica que as câmeras estão começando a expor, mas que a corporação ainda resiste em abraçar por completo.

A defesa da Polícia Militar, em nota, afirmou que “não compactua com possíveis desvios de conduta ou cometimento de crimes” e que pune “com rigor os envolvidos”.

Resta ao Judiciário e ao controle externo garantir que esse rigor seja aplicado e que as câmeras se tornem uma regra, não uma exceção de transparência.

Para mais detalhes sobre a investigação que deu base à operação policial, acesse o vídeo: “Juiz que autorizou operação cita tortura e hierarquia de facção no Complexo da Penha”.

Foto: reprodução/vídeo