COP-30 passou, Congresso agora quer derrubar vetos ao ‘PL da devastação’

Entre eles, o que derrubou o asfaltamento do trecho do meio da BR-319, mas não inviabilizou a obra

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 26/11/2025 às 15:50 | Atualizado em: 26/11/2025 às 15:53

Parlamentares da oposição se articulam para derrubar os 63 vetos do presidente Lula da Silva ao “PL da devastação” durante sessão do Congresso nesta quinta-feira (27 de novembro). Caso seja efetivado, considera-se um conflito com tudo o que o país defendeu na COP-30.

Desse modo, o projeto, que originalmente desmonta a política nacional do meio ambiente de 1981, retornaria à sua forma original.

Entre os vetos, está o que derrubou o dispositivo direcionado ao asfaltamento do trecho do meio da BR-319, mas não inviabilizou a obra.

Isso porque a licença ambiental especial, já em vigor por conta de medida provisória, favorece a recuperação da rodovia.

Na avaliação do Observatório do Clima, a licença especial beneficia não só empreendimentos como a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, mas também a pavimentação de estradas na Amazônia.

A entidade, que reúne mais de 130 organizações ambientais, alerta que o Congresso arma o pior retrocesso ambiental da história logo após a COP-30.

“Parlamentares se articulam para derrubar amanhã vetos de Lula à lei de licenciamento, restaurando o PL da devastação e pondo em risco a saúde dos brasileiros, a segurança e o clima”, diz o observatório.

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Autolicenciamento

De acordo com a organização não governamental (ONG), caso o Congresso derrube os vetos de Lula, passarão a ser lei no país coisas como o autolicenciamento amplo e geral, com elevado número de licenças emitidas num mero apertar de botão, sem qualquer estudo ambiental e sem a devida avaliação de impactos ambientais.

“Isso cria, além de insegurança jurídica, enorme risco à saúde e à segurança da população, já que a avaliação de quais empreendimentos poderão ser autolicenciados passa a caber a cada estado e município”, disse a entidade.

Além de um risco aumentado de desmatamento, a ONG também considera que o projeto é um ataque aos direitos dos povos indígenas, quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais.

“A lista de problemas é extensa, com muitas inconstitucionalidades recolocadas na lei, um prato cheio para judicialização no STF (Supremo Tribunal Federal) e em outras esferas. O Congresso Nacional, mais uma vez, expõe um descaso completo com a questão climática e o meio ambiente”, disse Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório.

“Os vetos preservam critérios técnicos fundamentais para evitar danos ambientais irreversíveis e reduzir o risco crescente de desastres climáticos. Derrubá-los significa ignorar a ciência, ampliar a insegurança jurídica e fragilizar a governança ambiental do país”, afirmou Clarissa Presotti, especialista de políticas públicas do WWF-Brasil.

Para Alice Dandara Correia, advogada do Instituto Socioambiental, a derrubada dos vetos significa a institucionalização do “racismo ambiental, por meio da fragilização territorial e da amplificação de violências e conflitos contra povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e seus territórios”.

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil