O que pode revelar celular de Nikolas Ferreira do plano de fuga de Bolsonaro?

STF ainda não se manifestou sobre denúncia contra deputado na visita ao preso

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 24/11/2025 às 22:30 | Atualizado em: 24/11/2025 às 22:30

O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não tinha tomado qualquer decisão pública sobre a notícia-crime apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) até às 23h desta segunda-feira, 24 de novembro.

O caso, registrado na noite de domingo (23), está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que deve apreender o celular de Ferreira.

A denúncia acusa Ferreira de auxiliar Jair Bolsonaro a descumprir regras da prisão domiciliar, ao usar o celular durante visita realizada enquanto o preso estava proibido de manter contatos externos.

Para Erika, o celular pode ter servido como meio para troca de mensagens e até eventual apoio a um plano de fuga, hipótese levantada pela Polícia Federal ao justificar a prisão preventiva de Bolsonaro.

A petição entregue ao Supremo cita imagens de TV, incluindo registros feitos por drone, que mostram Ferreira manuseando o celular dentro da casa onde Bolsonaro estava custodiado.

Segundo a deputada, a simples presença de um aparelho de comunicação no ambiente já configuraria violação das regras impostas ao preso.

Por isso, a deputada solicita a apreensão imediata do celular de Nikolas Ferreira, para que o aparelho passe por perícia e possa revelar eventuais contatos, registros de mensagens ou ligações realizadas no período.

Ela também pede a oitiva de agentes responsáveis pelo monitoramento da prisão domiciliar e a avaliação de medidas cautelares adicionais.

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Medidas possíveis no STF

Com o caso em análise e ainda sem manifestação pública de Moraes, especialistas apontam que algumas providências podem ser adotadas nas próximas horas ou dias:

•⁠ ⁠apreensão e perícia do celular do deputado, como forma de preservar provas;
•⁠ ⁠quebra de sigilo telefônico ou telemático, se houver indícios robustos de comunicação proibida;
•⁠ ⁠abertura formal de inquérito no âmbito da corte;
•⁠ ⁠aplicação de medidas cautelares, como restrição de contato com investigados ou limitações no exercício do mandato.

A hipótese de apreensão do aparelho é considerada central, já que a denúncia gira em torno do uso do celular em momento de proibição explícita ao ex-presidente.

Deputado “espantado”

O silêncio inicial do Supremo aumenta o ambiente de tensão política. Embora não haja prazo formal para resposta, a denúncia foi apresentada em um momento sensível, logo após a decretação da prisão preventiva de Bolsonaro.

Nikolas Ferreira, por sua vez, afirmou publicamente ter recebido a acusação com “absoluto espanto”, negou irregularidades e disse desconhecer qualquer proibição relacionada ao uso do celular.

Enquanto Moraes ainda avalia se há elementos suficientes para abrir investigação, o caso já mobiliza a Câmara, a base bolsonarista e opositores, que enxergam na denúncia um possível desdobramento da crise provocada pelo descumprimento das regras da custódia do ex-presidente.

Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara