Amazônia: entre 20 cidades mais violentas, Amazonas tem 4
Três estão na rota do tráfico de drogas pelo rio Solimões
Publicado em: 19/11/2025 às 20:15 | Atualizado em: 19/11/2025 às 20:15
O Amazonas concentra quatro das 20 cidades mais violentas da Amazônia, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), três delas situadas na rota do tráfico de drogas pelo rio Solimões, corredor estratégico usado por facções que disputam território e elevam os índices de homicídios na região. São elas: Rio Preto da Eva, Coari, Iranduba e Tabatinga.
O levantamento divulgado nesta quarta-feira (19) revela que facções criminosas já têm presença em 45% dos 772 municípios da região, um aumento de 32,3% em relação ao ano passado.
A pesquisa, quarta edição do relatório Cartografias da Violência na Amazônia, indica que nove estados compõem a Amazônia Legal:
Tocantins
Acre Amapá
Amazonas
Maranhão
Mato Grosso
Pará
Rondônia
Roraima
O levantamento analisou a taxa de mortes violentas intencionais dos últimos três anos e mostra que a expansão das facções tem relação direta com disputas territoriais e controle de rotas do tráfico de drogas.
Mato Grosso concentra seis dos 20 municípios mais violentos, impulsionado por conflitos entre CV, PCC e dissidências, além de áreas marcadas por garimpo ilegal e tensões fundiárias.
Entre as cidades com maiores índices de violência estão Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), Nobres (MT), Calçoene (AP), Alto Paraguai (MT), Cumaru do Norte (PA), Rio Preto da Eva (AM), Barra do Bugres (MT), Aripuanã (MT), Novo Progresso (PA), Mocajuba (PA), São Félix do Xingu (PA), Coari (AM), Iranduba (AM), Tabatinga (AM), Santa Inês (MA), Sorriso (MT), Santana e Macapá (AP), Altamira (PA) e Itaituba (PA).
Ao todo, 17 facções foram identificadas na região. O Comando Vermelho (CV) domina o cenário, com influência em 83% das cidades onde há grupos criminosos — 286 municípios — e crescimento de 123% desde 2023.
Já o PCC aparece em 90 cidades, com menor variação desde o último levantamento. A proximidade com fronteiras impulsiona a presença de facções: no Acre, elas atuam em 100% dos municípios; em Roraima, em 80%; no Amapá, em 62,5%.
Outros dados mostram que, apesar da queda para 8.047 mortes violentas em 2024, a taxa ainda é 31% superior à média nacional.
O Amapá lidera o ranking de estados mais violentos, enquanto Pará e Maranhão concentram os conflitos no campo.
A região também registra feminicídios 19% acima da média do país, aumento de estupros — 80% das vítimas têm até 14 anos — e avanço das facções na imposição de regras sociais, sobretudo para mulheres. A apreensão de drogas subiu 21% em 2024.
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Foto: Marinha do Brasil/divulgação
