Coronel que foi do CMA em Manaus recebe pena dura como a de Bolsonaro
Hélio Ferreira Lima recebeu a maior condenação do núcleo militar; ex-general do CMA foi absolvido
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 18/11/2025 às 23:48 | Atualizado em: 19/11/2025 às 00:15
A primeira turma do Supremo Tribunal Federal condenou, nesta terça-feira (18 de novembro), o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, ex-comandante de forças especiais do Comando Militar da Amazônia (CMA), em Manaus, por participação direta no planejamento da tentativa de golpe chefiada por Bolsonaro.
A pena de condenação é a maior entre os militares desse núcleo, aproximando-se da punição já aplicada ao chefe da organização criminosa, de 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicial fechado, segundo decisão do STF em 11 de setembro deste ano, a mais alta até agora.
O caso encerra o julgamento do chamado núcleo 3, o segmento das Forças Especiais responsável por estruturar ações táticas, elaborar documentos operacionais e preparar cenários de ruptura institucional.
Para a Procuradoria-Geral da República, esse grupo era o braço executor do projeto golpista.
A condenação imposta a Hélio Ferreira Lima supera todas as punições aplicadas aos demais militares do mesmo núcleo.
Conforme o julgamento, Lima não apenas participou das articulações, como atuou na elaboração, guarda e circulação de documentos centrais dos planos golpistas.
A pena se aproxima da já aplicada a Bolsonaro, que chefiou a tentativa de golpe contra a democracia brasileira.
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Top 5 dos condenados
Bolsonaro – 27 anos e 3 meses
• Walter Braga Netto – 26 anos
• Hélio Ferreira Lima – 24 anos
• Anderson Torres – 24 anos
• Almir Garnier – 24 anos
Segundo a denúncia, Lima exercia funções de coordenação tática, identificando alvos, redigindo protocolos operacionais e gerenciando informações estratégicas destinadas a justificar e executar ações armadas em apoio ao golpe.
Rascunhos apreendidos em Manaus
Documentos decisivos foram apreendidos quando o militar ainda atuava em Manaus.
Um pen-drive encontrado pela Polícia Federal continha o arquivo chamado “Desenho Op Luneta”, um rascunho que descrevia a operação de neutralização de ministros do Supremo, prisão preventiva das principais autoridades e instalação de estruturas paralelas de comando.
Outro texto, o “Plano Copa 2022”, também vinculado à sua função no CMA, descrevia simulações jurídicas e militares para impedir a posse ou derrubar o governo eleito de Lula da Silva.
Ambos os documentos foram tratados pelo Supremo como o núcleo intelectual da tentativa de golpe.
Ex-general do CMA absolvido
O julgamento desta terça também evidenciou o contraste entre os perfis dos réus ligados ao CMA.
Enquanto Hélio Lima era condenado, o general Estevam Theóphilo, que chefiou o Comando de Operações Terrestres e atuou diretamente na Amazônia, foi absolvido.
Os ministros avaliaram que não havia provas suficientes para sua condenação, o que tornou sua situação distinta da do coronel, cuja participação foi considerada central.
Foto: reprodução
