Reforma previdenciária de Manaus revela vereadores de olho em 2026
Vereadores usam votação para rotular rivais e preparar terreno para eleição.
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 18/11/2025 às 19:55 | Atualizado em: 21/11/2025 às 13:26
A reforma da previdência municipal, aprovada na câmara de Manaus neste dia 17 de novembro e que deve ser sancionada pelo prefeito David Almeida, apesar da polêmica e protesto dos servidores públicos, está sendo vista no meio político como um sinal antecipado das eleições de 2026.
Esse sinal está estampado nas redes sociais, onde quem votou contra a mudança na vida previdenciária dos servidores da educação, que são 29 dos 42 vereadores, tem sua imagem exposta como vilão.
São apresentados pelos adversários como traidores da população.
A base de oposição ao prefeito, que embora na minoria, reverberou o protesto das ruas, com os professores municipais em greve há uma semana, pega forte no discurso, classificando a aprovação como “vergonhosa” e “cruel”.
Dessa forma, a polêmica aprovação do projeto de lei do prefeito traçou uma linha de corte entre “defensores dos servidores” e “aliados do Executivo”.
Avançando no terreno
Entre os nomes mais ativos está José Ricardo Wendling (PT), que reforçou o discurso de retrocesso e usou a sessão para ampliar sua visibilidade, já atento à possibilidade de disputar vaga na Câmara dos Deputados ou Assembleia Legislativa:
“Hoje assisti a um verdadeiro retrocesso: a base do prefeito aprovou a reforma da previdência de forma atropelada e sem qualquer diálogo com quem será diretamente afetado”.
Com ele na Câmara e o ex-deputado federal Marcelo Ramos no Senado, a esquerda vê na reforma, portanto, uma chance de se reposicionar no Amazonas e recuperar terreno político.
Na mesma linha, Rodrigo Guedes (PP), que deve disputar vaga para deputado estadual para ampliar o campo de atuação, expôs em rede social as fotos dos que votaram favoráveis à proposta do prefeito:
“Hoje foi o dia mais vergonhoso da história da CMM! Não esqueça esses nomes!”
Além de Guedes, o vereador Francisco Carpegiane Andrade, conhecido como Carpê (PL), que já confirmou que disputará vaga a deputado estadual, votou contra o projeto e reforçou sua posição alegando que “o sistema falou mais alto”:
“Desde o início eu prometi para mim mesmo que jamais iria decepcionar aqueles que acreditaram em mim, sigo dessa forma!”
Entretanto, a movimentação que mais chamou atenção foi a de Eurico Tavares (PSD).
Aliado do pré-candidato ao governo Omar Aziz, ele votou a favor da reforma no primeiro turno, mas mudou o voto na decisão final.
A guinada veio poucos dias depois da live do prefeito do Avante, que sugeriu risco de rompimento da coalizão com Aziz em 2026.
Assim, a mudança de voto pode ter espelhado essa rusga na relação: hoje, Tavares pende mais para Aziz do que para Almeida.
Outros nomes também surfaram no desgaste, alinharam-se ao bloco oposicionista e adotaram o discurso de defesa dos servidores, como os bolsonaristas Alexandre Salazar (PL) e Ubirajara Rosses Júnior (PL). Ambos ainda não confirmaram qual cargo pretendem disputar em 2026, mas já se movimentam para ganhar terreno.
*Com colaboração da Redação.
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Foto: divulgação
