Trump suspende tarifas sobre produtos brasileiros
A decisão visa combater a crescente inflação nos EUA, onde a redução da oferta e o aumento dos preços pressionavam o governo.
Publicado em: 15/11/2025 às 09:41 | Atualizado em: 15/11/2025 às 09:41
A administração de Donald Trump emitiu uma ordem executiva, nesta sexta-feira (14/11), suspendendo parcialmente as tarifas recíprocas de 10%, implementadas em abril, sobre uma lista de produtos agrícolas importados de parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Principais pontos
A medida isenta de tarifa itens como café, diversos cortes de carne bovina, açaí, castanha-do-pará, tapioca, mandioca, e frutas como banana, laranja e coco, entre outros produtos brasileiros.
A suspensão entra em vigor a partir da 00h01 de 13 de novembro de 2025.
O documento de Trump justifica a mudança pela análise de informações e recomendações de autoridades, o andamento de negociações, a demanda interna e a capacidade de produção americana.
A suspensão ocorre sob crescente pressão da inflação nos EUA, especialmente no setor de alimentos. O preço do café, no qual o Brasil é o principal fornecedor, e da carne bovina, cuja oferta interna americana está em queda histórica, estava subindo e agravando a pressão política sobre Trump.
As novas isenções não alteram a tarifa adicional (o “tarifaço”) de 40% imposta em julho sobre vários produtos brasileiros, cuja negociação específica continua em curso.
Repercussão e impacto
O Brasil, segundo maior parceiro comercial dos EUA, recebeu a notícia positivamente. Celso Amorim viu a medida como “boa notícia” para produtores e consumidores americanos, esperando que seja seguida por isenções para produtos manufaturados.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro comemorou que o “diálogo voltou” após reunião com sua equipe.
A Abiec celebrou o anúncio, reforçando a confiança no diálogo técnico e destacando a importância da carne brasileira para a segurança alimentar global.
A medida impacta produtos onde o Brasil é fornecedor-chave dos EUA. O Brasil fornece cerca de um terço das importações americanas de café, e as tarifas já haviam causado uma queda de 47% no volume enviado em setembro em relação a 2024.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e responde por 23% das importações americanas, ajudando a suprir a baixa histórica no rebanho dos EUA.
As frutas (manga e goiaba), o Brasil é o quarto maior fornecedor, e produtores locais haviam sido duramente afetados pelas tarifas.
As isenções, que se somam à redução de taxas de importação de café e bananas de quatro países latino-americanos (Argentina, Guatemala, Equador, El Salvador), sinalizam uma mudança na postura de Trump para responder às preocupações do eleitorado com o aumento dos preços, contrariando sua afirmação anterior de que as tarifas não levariam ao aumento de custos para o consumidor.
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Foto: Ricardo Stuckert/PR
