Derrite age para blindar futuros investigados do crime organizado, diz Lula

Presidente vê tentativa do deputado de enfraquecer a PF e distorcer o projeto antifacção.

Publicado em: 14/11/2025 às 12:09 | Atualizado em: 14/11/2025 às 12:10

A avaliação no Planalto é direta: Guilherme Derrite tentou usar o projeto antifacção para proteger futuros investigados e reduzir o alcance da Polícia Federal. Foi isso que Lula ouviu de ministros na reunião desta quinta-feira, no Alvorada. Para o presidente, o relator desvirtuou o texto e ainda buscou criar mecanismos que fragilizariam investigações sobre o crime organizado.

Mesmo após recuos, o governo vê problemas na nova versão do relatório. Técnicos alertam que, se passar como está, o texto pode cortar recursos essenciais da PF. “Não podemos permitir que eles blindem investigados”, disse um ministro a Lula, cobrando reação firme na Câmara.

A leitura do governo é que Derrite desagradou a todos: governo, oposição e sociedade. E só mudou de rota porque a pressão do Planalto — e de juristas — travou seu plano inicial. “Não fosse isso, ele teria aprovado o enfraquecimento da PF”, resumiu um auxiliar presidencial.

Derrite rejeita as acusações e diz que foi mal interpretado. Mas, pressionado por Hugo Motta, retirou os pontos mais polêmicos para evitar que seu relatório nem chegasse ao plenário. Mesmo assim, o governo quer uma quinta versão, que elimine qualquer risco de reduzir verba ou autonomia da PF.

O texto deve ser votado na terça (18). A ordem no Planalto é clara: manter o projeto original do Ministério da Justiça e impedir qualquer manobra que afrouxe o combate às facções.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil