Bancada do Amazonas dá “milhões” de motivos para não ir à COP-30
Dos 11 membros da bancada amazonense, apenas dois deputados federais estão participando da conferência mundial do clima em Belém
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 13/11/2025 às 22:53 | Atualizado em: 13/11/2025 às 23:09
Os políticos do Amazonas – senadores, deputados federais, estaduais e vereadores – vêm recebendo muitas críticas de organizações ambientais, lideranças indígenas pela ausência na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, que acontece em Belém, no estado do Pará.
Com exceção do governador do Amazonas, Wilson Lima e do prefeito de Manaus, David Almeida, somente dois dos 11 parlamentares da bancada do Amazonas, no Congresso Nacional, participam da COP-30 desde o seu início.
São os deputados Amom Mandel (Cidadania-AM) e Sidney Leite (PSD-AM). Estes são os únicos a participar de comissões da Câmara, relacionadas aos temas da conferência do clima.
Mandel, por exemplo, é o único parlamentar amazonense membro da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e membro da subcomissão da COP-30.
Por sua vez, Sidney Leite – que é coordenador da Bancada do Norte – é titular da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Assim como o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), mas este não foi à COP-30.
De outro modo os deputados federais Adail Filho (Republicanos-AM), Alberto Neto (PL-AM), Átila Lins (PSD-AM), Fausto Jr. (União-AM) e Pauderney Avelino (União-AM) estão ausentes na COP-30.
Assim como os três senadores: Eduardo Braga (MDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM) e Plínio Valério (PSDB-AM).
“Milhões” de motivos
E por que 82% da bancada do amazonense deixou de ir ao maior evento de debates sobre o clima e meio ambiente do mundo?
As explicações e justificativas são muitas e vão desde a falta de convite, problemas com logística (hospedagem) e compromissos assumidos anteriormente.
No entanto, parte da representação do Amazonas no Congresso não foi porque não acredita na COP como vetor de soluções para os problemas acarretados pela crise climática e ambiental do planeta.
Ausente na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, o senador Omar Aziz (PSD-AM) fez nesta quarta-feira (12 de novembro) duras críticas ao evento que acontece em Belém, no estado do Pará.
Em entrevista ao BNC Amazonas, Aziz disse que as conferências climáticas internacionais não trazem resultados concretos para a Amazônia. O parlamentar afirmou que “nunca participou e nem pretende participar de nenhuma COP”, pois, segundo ele, “nenhuma delas trouxe benefício ao Amazonas”.
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Muita promessa e pouca ação
O senador Plínio Valério (PSDB-AM) avisou de antemão que não iria à COP-30 nem que fosse convidado. Ele tem feito duras críticas à conferência e já tem posição conhecida sobre o ativismo climático que isola a Amazônia e decreta a pobreza dos mais vulnerávies.
Segundo o senador, isso ficou claro na CPI das ONG ao mostrar a miserabilidade principalmente dos ribeirinhos e indígenas que não podem explorar as riquezas de suas reservas e muitos fogem para o cinturão de pobreza das cidades em busca de assistência.
Tem a questão da BR 319 barrada, a exploração do potássio de Autazes que poderia gerar milhares de emprego e renda. No relatório da CPI há provas do enriquecimento das ongs e muito pouco chegando aos vulneráveis.
Desde o início da conferência, Plínio Valério tem feito discursos no Senado fazendo críticas sobre os resultados práticos de todas as COP: muita promessa e pouca coisa sai do papel, segundo ele.
COP-30 é incoerente
“Assim como eu, diversos líderes mundiais também não estarão presentes na COP-30. Esta será, inclusive, a menor participação de chefes de Estado e de governo em uma COP desde 2019. Minha ausência não diminui o compromisso com o meio ambiente, apenas reflete a incoerência de um evento que promete salvar o planeta enquanto ignora problemas reais da Amazônia, como a paralisação da BR 319 e o isolamento do nosso povo”, disse o deputado federal Fausto Jr.
Por meio de vídeo divulgado em suas redes sociais, o deputado proferiu críticas severas ao evento de Belém, descrevendo-a como um grande palco. Ele questionou o alto custo da conferência, afirmando que o governo federal gastou R$ 776 milhões para bancar o evento.
Sem convite
Já o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) disse não ter conhecimento de convite para ir à COP-30 em nome da bancada do Amazonas. No entanto, disse que não foi ao evento porque devido a compromisso agendados anteriormente, mas considera importante o debate da crise climática no planeta.
Por sua vez, o deputado Átila Lins (PSD-AM) justificou sua ausência pelas dificuldades logísticas na capital do Pará, principalmente hospedagem.
Contudo, o decano amazonense ressaltou que uma delegação da União Interparlamentar (UIP), entidade da qual participa, está presente na conferência do clima.
Atenção do Brasil e do mundo
Um dos únicos da bancada do Amazonas a se fazer presente na COP-30, em Belém, o deputado Sidney Leite destacou a importância da realização a conferência na Amazônia.
“Para nós, que somos amazônidas, é uma conquista significativa, até porque a presença deste evento acontecendo aqui chama a atenção do Brasil e do mundo para que possa conhecer um pouco dos nossos desafios, das contradições e da necessidade de investimento na região, porque se é importante tem que investir.”
Além disso, de acordo com Leite, a COP em Belém serve para mostrar que é um grande equívoco querer tratar a Amazônia como um santuário, para quem vive nela: homens, mulheres, jovens e crianças, que têm o direito de viver com dignidade, com políticas públicas que funcionem, mas com qualidade de vida.
Crise climática é realidade
Para o deputado Amom Mandel, o debate sobre a crise climática mundial é de grande importante, por isso ele está na COP-30.
“A crise climática não é um debate distante, é uma realidade que o nosso povo já vive. Quando chove forte e desaba uma encosta em Manaus, quando o rio seca e a comida não chega nas comunidades ribeirinhas, isso é a crise climática acontecendo agora”, disse o parlamentar.
De acordo com Mandel, o aprendizado da participação dessa conferência, é que o debate global precisa se traduzir em ação local. E que a Amazônia não pode ser só o palco das promessas — ela tem que ser o ponto de partida das soluções.
“É por isso que a gente está aqui articulando projetos concretos: moradia sustentável, manejo correto dos resíduos, incentivo à bioeconomia e proteção das nascentes que alimentam o país. Eu acredito, sim, que discutir o clima é essencial. Mas o meu papel é transformar discurso em prática — fazer da Amazônia o exemplo de que é possível cuidar do planeta começando pela nossa própria casa”, destacou Amom Mandel.
Foto: Ariel Costa
