Sobre a luta real e a posição dos intelectuais
Em defesa do materialismo histórico e da centralidade da luta de classes, o texto denuncia a covardia intelectual e a deserção política de setores da esquerda que abandonaram o enfrentamento real com a classe dominante.
Por Lúcio Carril*
Publicado em: 13/11/2025 às 11:58 | Atualizado em: 13/11/2025 às 11:58
Sou marxista-leninista, logo tenho na luta de classes uma referência fundamental dos conflitos sociais.
Aprendi a analisar a realidade tendo como base o materialismo histórico e com o materialismo dialético dialogar com a história.
Este instrumental teórico e metodológico não me tira a perspectiva de entender o jogo político ou levar a me esconder no discurso puramente ideológico, para não ter uma posição política de enfrentamento com os agentes da classe dominante, como vem fazendo uma cambada de intelectuais do campo da esquerda.
É muito fácil tomar posição ideológica e se esquivar da definição política, como se os agentes políticos não constituíssem um sujeito coletivo.
Na verdade, o discurso ideológico sem posição política – aquele que fala da burguesia, mas não fala o nome do burguês, com receio de retaliação – vem servindo de instrumento de intelectuais e militantes covardes, trânsfugas do embate real.
O materialismo histórico e dialético é um instrumento de luta e não de covardia.
Precisamos entender a ação dos sujeitos políticos, suas alianças, seus movimentos, para compreender a luta de classes como força motriz da história.
Na Divisão Internacional do Trabalho, a conquista de regimes democráticos e de governos populares serve à luta de resistência contra aqueles países que se desenvolveram economicamente às custas da acumulação primitiva: dos saques e crimes contra a humanidade.
A classe trabalhadora ou o proletariado, como escrito em 1848, comemora cada conquista política e dela faz um instrumento de luta contra a opressão da classe dominante.
Não está na política a transformação social, mas é nela que os sujeitos ideológicos se expressam e tomam forma.
Não necessariamente o agente tem que ser deste lado da história, mas no momento que sua ação fortalece nossa luta ele é um aliado.
A luta de classes é real e não uma fantasia idílica dos medrosos e oportunistas.
Nos últimos anos, o que mais tem aparecido é pseudointelectual tentando justificar seu desalento ou sua deserção da história. Nenhuma surpresa. O mundo tem dessas coisas.
*O autor é sociólogo.
Foto: Domínio público
