PGR aponta ‘kids pretos’ como braço militar da tentativa de golpe
Paulo Gonet afirmou ao STF que grupo formado por oficiais do Exército e um policial federal planejou ações armadas. Por isso pediu a condenação dos integrantes
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 11/11/2025 às 15:49 | Atualizado em: 11/11/2025 às 15:49
O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, pediu nesta terça-feira (11) a condenação dos integrantes do núcleo militar envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 2022.
Confome ele, o grupo foi responsável pelas ações táticas da trama e atuou para pressionar o Alto Comando do Exército a apoiar a ruptura institucional. Como informa o ICL Notícias.
Assim, durante sustentação oral na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirmou que os acusados — nove militares e um policial federal — discutiram “manobras de tomada de poder por meios heterodoxos”, com o uso de armas e esquemas de cooptação de outros oficiais.
Ao mesmo tempo, o procurador destacou que a reunião realizada em 28 de novembro de 2022, em Brasília, não foi uma simples confraternização, como alegam os réus, mas um encontro estratégico para o avanço dos planos golpistas.
“Integrantes desse núcleo pressionaram agressivamente o Alto Comando do Exército a ultimar o golpe de Estado, puseram autoridades públicas na mira de medidas letais e se dispuseram a congregar forças militares terrestres ao serviço dos intentos criminosos”, afirmou o chefe da PGR.
De acordo com Gonet, os envolvidos tinham consciência de que a narrativa de fraude nas urnas era falsa, mas seguiram difundindo desinformação para mobilizar apoio popular.
O procurador apontou que a reunião do grupo, composto em sua maioria por oficiais das forças especiais — conhecidos como “kids pretos” —, foi fundamental para os movimentos que culminaram nos ataques à democracia.
Entre os réus estão Bernardo Romão Correa Neto, Estevam Theophilo, Fabrício Moreira de Bastos, Hélio Ferreira Lima, Márcio Nunes de Resende Júnior, Rafael Martins de Oliveira, Ronald Ferreira de Araújo Júnior, Sérgio Ricardo Cavaliere, Wladimir Matos Soares e o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, o único a comparecer pessoalmente ao STF.
Azevedo, preso há 12 meses em um quartel de Brasília, é acusado de planejar uma ação para neutralizar o ministro Alexandre de Moraes, sob o codinome “Brasil”. A defesa nega as acusações e sustenta que ele estava em Goiânia, celebrando aniversário, na data citada pela PGR.
Como resultado, nove dos réus respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração do patrimônio público e dano ao patrimônio tombado.
Portanto, Paulo Gonet pediu a absolvição apenas do tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, por considerar insuficientes as provas apresentadas contra ele.
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Foto: reprodução
