Amazonas é epicentro do mercúrio para garimpeiros e tráfico de ouro
Isso é o que aponta relatório da Abin e Ministério do Meio Ambiente.
Publicado em: 04/11/2025 às 11:24 | Atualizado em: 04/11/2025 às 11:27
O mercúrio que move o garimpo ilegal na Amazônia entra no Brasil, em grande parte, pelo Amazonas. A constatação está em um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
As rotas clandestinas cruzam fronteiras com Peru e Colômbia e abastecem áreas de extração de ouro no interior do estado. O estudo mostra que o oeste amazonense é uma das regiões mais vulneráveis à contaminação por mercúrio, especialmente ao longo do Rio Solimões, onde a atividade garimpeira se expandiu.
O documento, intitulado “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança”, também mapeia ligações entre o departamento de Loreto (Peru) e garimpos ilegais no Amazonas.
Entre os Yanomami, a taxa média de contaminação chegou a 3,78 µg/g, um dos índices mais altos do país.
“Quase todo o mercúrio usado nos garimpos ilegais brasileiros é adquirido por contrabando”, destaca o texto.
A principal fonte de exposição é o consumo de peixes contaminados, o que coloca comunidades ribeirinhas e indígenas em situação de risco alto ou extremo.
A reportagem questionou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre medidas para conter o contrabando, mas não houve resposta até a última atualização.
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Foto: Vinicius Mendonça/Ibama
