Brigadeiro, ministro aproveita ausência da presidente do STM para criticá-la
Maria Elizabeth Rocha havia pedido perdão pelos erros das Forças Armadas na ditadura.
Publicado em: 31/10/2025 às 19:50 | Atualizado em: 31/10/2025 às 19:53
Dias depois de um gesto inédito da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, que pediu perdão pelos crimes cometidos pelas Forças Armadas durante a ditadura civil-militar (1964–1985), o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, tenente-brigadeiro do ar, reagiu em tom de afronta.
Durante uma cerimônia na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), e na ausência da colega, Amaral afirmou:
“As Forças Armadas não pedem perdão por nada, porque não têm do que se envergonhar. Cumprimos missões determinadas pela Constituição e pelo povo brasileiro.”
Oficiais aplaudiram a declaração, que alguns interpretaram como uma tentativa de anular o gesto de autocrítica feito dias antes por Maria Elizabeth, quando ela reconheceu a conivência do STM com perseguições políticas e violações de direitos humanos durante o regime.
Enquanto a presidente do STM defendeu responsabilidade e reconciliação, Amaral reagiu com orgulho e negação. Ele reforçou que “a história mostrará que a atuação das Forças Armadas sempre foi guiada pela legalidade e pela defesa da pátria”.
O contraste entre as falas expos o racha interno no STM e reacendeu o debate sobre a resistência das Forças Armadas sobre a ditadura. Juristas e historiadores classificaram o embate como um divisor simbólico entre duas visões opostas: uma que busca reconstruir a confiança da sociedade civil e outra que insiste em preservar a narrativa de heroísmo e impunidade.
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Foto: reprodução/YouTube
