Amazonas desafia plano de Lula para frear bolsonarismo no Senado

No Amazonas, o PT enfrenta resistência e vê Marcelo Ramos em quarto lugar, atrás de Braga, Alberto Neto e Lima

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 29/10/2025 às 16:00 | Atualizado em: 29/10/2025 às 16:00

O Senado passará por uma das maiores renovações políticas da sua história em 2026, com dois terços das cadeiras em disputa. 

O movimento preocupa o governo Lula, que tenta conter o avanço da extrema-direita, ainda comandada por Bolsonaro, e também mobiliza a oposição, que vê a chance de conquistar a maioria absoluta (41 cadeiras) e dificultar uma eventual quarta gestão lulista.

A prioridade de Lula da Silva é ampliar a bancada aliada. O PT, que hoje tem nove senadores, mira um crescimento com ministros e ex-ministros nas urnas, como, por exemplo, Fernando Haddad, cotado em São Paulo, e Rui Costa, na Bahia.

Contudo, o desafio no Norte é maior: a região ainda mantém forte influência de lideranças conservadoras e governadores alinhados ao bolsonarismo, como é o caso do Amazonas.

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Amazonas e Lula

No Amazonas, o plano de Lula encontra resistência histórica. 

A análise do Brasil de Fato sobre os cenários estaduais, porém, não considerou o nome de Marcelo Ramos (PT), ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado.

As pesquisas mais recentes, publicadas pelo site BNC Amazonas, mostram o senador Eduardo Braga (MDB) na liderança para reeleição, seguido pelo deputado federal Alberto Neto (PL) e pelo governador Wilson Lima (União Brasil). Ramos aparece em quarto lugar.

Braga, aliado do governo federal, busca consolidar uma reeleição apoiada por Lula, enquanto Alberto Neto, homem de confiança deBolsonaro, tenta transformar o discurso moralista e policialesco em capital eleitoral. 

Já Wilson Lima, governador reeleito e ex-aliado do grupo de Braga, que tem ainda o senador Omar Aziz (PSD) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), mantém força regional e já se declarou aliado de Bolsonaro.

“O desafio do PT no Amazonas é romper o eixo Braga–Wilson–Alberto, que concentra o eleitorado conservador”, avalia um cientista político ouvido pelo BNC Amazonas“Marcelo Ramos precisa de um discurso que traduza o projeto nacional do governo para o eleitor amazonense, ainda cético em relação ao PT”.

Um Norte difícil para Lula

Além do Amazonas, o plano do PT enfrenta terreno árido em estados como Acre, Roraima e Rondônia, onde o bolsonarismo se mantém dominante.

No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) é aliado importante, e a expectativa é de que sua força política ajude a conter o avanço do PL, partido de Bolsonaro.

Já no Amapá, o senador Randolfe Rodrigues (PT), atual líder do governo no Senado, tenta a reeleição e surge como único nome consolidado da base no Norte.

“O Norte é vital para Lula reconstruir pontes com o eleitorado da Amazônia, que ainda o vê distante da realidade local”, explica uma fonte do grupo eleitoral do PT.

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Estratégia nacional

A coordenação das estratégias estaduais passa pelo grupo de trabalho eleitoral do PT, que voltou a se reunir com o objetivo de neutralizar o domínio da extrema-direita e garantir governabilidade no próximo mandato.

Lula acompanha pessoalmente as movimentações, ciente de que um Senado oposicionista pode paralisar reformas econômicas e ambientais.

A análise completa sobre o quadro nacional das eleições de 2026, incluindo os cenários do Sudeste, Nordeste e Sul, pode ser lida na reportagem original do Brasil de Fato, que detalha os planos do governo e as apostas da oposição para controlar o Senado.

Fotomontagem: BNC Amazonas