Morador de Belém crê no Círio de Nazaré, não na COP30

Motorista de aplicativo, Reginaldo Oliveira da Silva, 60, vai deixar Belém nos dias da COP30. Para ele, o evento não vai dar em nada

Motorista de aplicativo, Reginaldo Oliveira da Silva, de 60 anos

Gabriel Ferreira, especial para o BNC Amazonas, em Belém-PA

Publicado em: 24/10/2025 às 19:24 | Atualizado em: 25/10/2025 às 03:49

“Belém tá aqui preparada pra receber milhões de pessoas sim [no Círio de Nazaré], mas não está preparada pra receber esse público que vem de autoridades de lá pra cá [na COP-30”, disse o microempreendedor e motorista de aplicativo, Reginaldo Oliveira da Silva, de 60 anos, enquanto dirigia um carro Volkswagen Voyage Prata em uma corrida do bairro Curió Utinga ao Ver-o-peso, no bairro da Campina, em Belém-PA.

A fala do trabalhador em entrevista ao BNC Amazonas resume o sentimento que ecoa nas ruas da capital paraense nos dias que antecedem a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, realizada entre 10 e 21 de novembro.

E essa mesma cidade que acolheu neste ano mais de 2,5 milhões de pessoas para o Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas populares do Brasil, enfrenta desafios para receber algumas centenas de autoridades, e aproximadamente 50 mil pessoas no total.

E essa visão crítica pode ser escutada dentro de um carro de Uber, como o de Reginaldo Oliveira. “Pra ter uma ideia, esses hotéis, não tinha isso tudo aí pra suprir essas necessidades. Foi umas coisas de primeira, usando casas, até motel foi usado pra chegar esse público”, disse.

De acordo com ele, a COP-30 “não vai dar em nada, porque os países mais poluidores do mundo não vão estar aqui presente. Os que vão ficar aqui, não vão ter como resolver essa situação”.

E para fugir de todo alvoroço do evento diplomático internacional na capital paraense, o motorista de aplicativo disse que pretende passar o mês de novembro em um sítio próprio no município Terra Alta, distante a 100 quilômetros de Belém. “Eu vou com minha esposa pra lá e vou ficar um mês”, declarou.

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Para o motorista de aplicativo o valor exorbitante cobrado em diárias de hospedagem para a COP-30 ocorreu por conta da vinda de muitas pessoas de outros países. “Aluguel de casa, ultrapassaram o limite tudinho. Tem que gente que tava alugando casa 400 reais, 350 reais o kitnet, eles queriam 100 mil reais, olha só o índice inflacionário que teve em cima disso daí. Aí o governo interviu um pouco e melhorou. Mas tava caríssimo e as pessoas estavam desistindo de vir pra cá”, relatou.

E dessa forma, há uma grande diferença entre a hospedagem no Círio de Nazaré e a COP-30, segundo o motorista.

“Na realidade são as casas aqui, casa de parentes de quem vem pra cá. Quem usa muito os hotéis, é quem vem de fora aí, mas é muito pouco. E a grande maioria mesmo vem pra casas, de cidades do interior aqui próximo. E o que foi que cresceu esse índice inflacionário aí, foi a COP”, disse.

Veja o vídeo:

Fotos e vídeo: Gabriel Ferreira/especial para o BNC Amazonas