Avanço de Haddad acende alerta no entorno de Tarcísio e divide bolsonarismo

Fernando Haddad supera o governador paulista em simulações de primeiro turno.

Avanço de Haddad acende alerta no entorno de Tarcísio e divide bolsonarismo

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 24/10/2025 às 18:42 | Atualizado em: 24/10/2025 às 18:43

A nova pesquisa AtlasIntel virou o jogo político e provocou tensão entre aliados de Jair Bolsonaro: Lula alcançou sua melhor aprovação do ano e Haddad ultrapassou Tarcísio de Freitas, abrindo uma crise de confiança na estratégia do bolsonarismo para 2026.

A nova pesquisa da AtlasIntel caiu como uma bomba no campo conservador. Segundo integrantes da articulação política do grupo ligado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o impacto foi imediato.

“O cenário ficou mais complexo do que estávamos analisando”, resumiu uma fonte envolvida nas conversas.

Conforme o site ICL Notícias, os dados mostram uma virada simbólica e numérica: Lula aparece numericamente à frente nos trackings internos do bolsonarismo, e, pela primeira vez, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, surge em posição superior a Tarcísio em projeções eleitorais.

A pesquisa registrou 51,2% de aprovação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — o melhor índice do ano — e apontou queda na desaprovação, agora em 48,1%. Na comparação direta com Jair Bolsonaro (PL), Lula é visto como melhor em todas as áreas de governo, com destaque para políticas sociais (+24 pontos), moradia (+20) e relações internacionais (+21).

A leitura nos bastidores é que a melhora na percepção pública, especialmente na área econômica, tem fortalecido o governo e enfraquecido o discurso oposicionista.

“O governo está conseguindo se recompor na narrativa de eficiência e estabilidade, enquanto a oposição ainda não encontrou uma agenda que empolgue fora das redes”, avaliou um interlocutor próximo de Tarcísio.

Desafio duplo

O entorno do governador paulista reconhece que há uma necessidade de recalibrar a comunicação. Mas o desafio é duplo: Tarcísio depende do bolsonarismo para manter sua base eleitoral, ao mesmo tempo em que herda parte da rejeição de Bolsonaro — a mesma que foi determinante para a vitória de Lula em 2022.

Nos bastidores, há quem admita que o PT tem explorado essa ligação com a extrema direita para consolidar a imagem de Tarcísio como herdeiro político do ex-presidente.

“Não é uma tarefa simples se descolar sem perder apoio. O governador está preso a um campo que ainda não se reorganizou”, afirmou uma fonte da articulação.

Divisão interna e corrida contra o tempo

Entre os aliados de Bolsonaro, o alerta é evidente. A avaliação é que o campo conservador segue fragmentado entre o legado do ex-presidente e a tentativa de renovação representada por Tarcísio. A dúvida central é se haverá tempo e unidade para construir um nome competitivo sem o peso das investigações e sem depender exclusivamente do eleitorado mais ideológico.

Um dos líderes que acompanha de perto o governador resume o diagnóstico:

“Os dados não inviabilizam o projeto, mas mudam completamente o ritmo. Vamos ter que correr antes do governo consolidar o discurso de estabilidade.”

Leia mais no ICL Notícias.

Leia mais

Lula poderia vencer eleição de 2026 no primeiro turno, aponta pesquisa AtlasIntel

Foto: reprodução/Agência Brasil