Marina Silva não afrouxa no rigor ambiental com BR-319
Em entrevista ao Estúdio COP-30, ministra reforça que BR-319 e exploração na foz do rio Amazonas exigem planejamento e governança
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 22/10/2025 às 21:37 | Atualizado em: 23/10/2025 às 06:48
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta noite de quarta (22 de outubro), menos de um mês para a COP-30, que não abrirá mão do rigor técnico e da transparência nos licenciamentos ambientais de grandes obras na Amazônia, entre as quais a BR-319.
Em entrevista ao programa Estúdio COP-30, do CanalGov (EBC), Marina destacou que projetos como a BR-319 e a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas só serão legítimos se seguirem critérios de governança e ordenamento territorial.
Conforme a ministra, a licença concedida pelo Ibama para a prospecção na bacia da foz do rio Amazonas, entre o Amapá e o Pará, foi resultado de estudos iniciados em 2014, conduzidos com base em evidências científicas.
Segundo ela, o processo “segue o rigor técnico necessário” e não deve ser interpretado como autorização para a exploração comercial de petróleo.
“É uma licença para estudos, com critérios técnicos e ambientais que garantam segurança. Precisamos planejar cada passo para que a Amazônia não pague o preço da pressa”, afirmou.
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E a famigerada BR-319?
Ao comentar sobre a BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus, Marina ressaltou que o asfaltamento do trecho central só poderá ocorrer após a conclusão do estudo ambiental estratégico do interflúvio Purus-Madeira, já em andamento.
A ministra enfatizou que “não basta asfaltar” sem definir limites e diretrizes de uso do território.
“Levamos 20 anos para chegar a este ponto. Agora temos condições de fazer o que precisa ser feito, com planejamento e responsabilidade”.
COP-30 e justiça climática
Durante a entrevista, Marina afirmou que a realização da COP-30, em Belém, será uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu papel na governança climática global. Para ela, a transição energética e o combate às desigualdades precisam caminhar juntos.
“Não basta termos uma matriz limpa se o processo de transição não for justo. A justiça climática é o centro dessa agenda, e a Amazônia é o termômetro dessa transição”.
Governança e ética ambiental
Em tom crítico, Marina alertou que o desenvolvimento sustentável da Amazônia depende de uma ética ambiental que una infraestrutura, biodiversidade e direitos sociais.
Segundo a ministra, licenciar não é liberar, mas garantir que as decisões públicas respeitem o território e suas populações.
“Quando eu penso nessa COP desafiadora, é porque precisamos salvar não só o planeta do ponto de não retorno, mas também o multilateralismo climático. Se não implementarmos o que já decidimos, ele próprio entra em erosão”.
Licenciamento e desafios ambientais
| Tema | BR-319 | Foz do rio Amazonas |
| Tipo de obra | Rodovia federal (trecho central entre Porto Velho e Manaus) | Prospecção de petróleo em águas profundas (bloco FZA-M-59) |
| Situação atual | Estudo ambiental estratégico do interflúvio Purus-Madeira em andamento | Licença técnica concedida pelo Ibama para estudos exploratórios |
| Risco identificado | Aceleração da ocupação irregular e desmatamento nas margens | Possível impacto sobre ecossistemas costeiros e recifes submersos |
| Abordagem do governo | Planejamento territorial e fundiário antes da pavimentação | Rigor técnico e análise científica antes de autorizar perfuração |
| Foco de Marina Silva | “Não basta asfaltar sem definir limites do território.” | “A Amazônia não pode pagar o preço da pressa.” |
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
