Itália autoriza extradição de Zambelli para cumprir penas no Brasil

A decisão do Ministério Público italiano reforça o andamento do processo que pode trazer a deputada de volta ao país.

Publicado em: 22/10/2025 às 16:45 | Atualizado em: 22/10/2025 às 16:45

O parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa cautelarmente em Roma desde julho deste ano, foi emitido pelo Ministério Público da Itália, conforme informou nesta quarta-feira (22/10) a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por representar o Estado brasileiro no processo. A decisão marca mais um avanço nas tratativas para que a parlamentar retorne ao Brasil e cumpra as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Zambelli foi detida em uma operação conjunta entre autoridades brasileiras e italianas, após deixar o Brasil pouco tempo depois de o STF decretar sua prisão preventiva em 4 de junho.

A Corte de Apelação de Roma justificou a medida ao apontar “grave risco de fuga” caso a deputada permanecesse em liberdade.

De acordo com a AGU, a extradição tem como objetivo assegurar o cumprimento das decisões judiciais brasileiras e reforçar a cooperação internacional em casos criminais.

Duas condenações no STF

A deputada acumula duas condenações no Supremo Tribunal Federal.

A primeira — que motivou sua fuga — determinou dez anos e oito meses de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. O processo aponta que ela atuou junto ao hacker Walter Delgatti Neto para acessar ilegalmente dados do órgão.

A segunda condenação, de cinco anos e três meses de prisão, refere-se a porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

O caso ocorreu durante o segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu, armada, o jornalista Luan Araújo, apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas ruas do bairro Jardins, em São Paulo.

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Além das penas de prisão, o STF também aplicou multa de 400 salários mínimos — corrigidos monetariamente — e determinou a perda do mandato parlamentar após o trânsito em julgado da sentença, quando não houver mais possibilidade de recurso.

A decisão do Ministério Público italiano, portanto, reforça o andamento do processo que pode trazer a deputada de volta ao país para cumprir as determinações da Justiça brasileira.

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Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados