MP processa 33 postos por preço abusivo e suspeita de cartel em Manaus

Defesa do consumidor aponta reajustes uniformes, pede indenizações por dano moral e prepara mais 10 processos

Bolsa-caminhoneiro em ano de eleição põe Justiça de olho em Bolsonaro

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas*

Publicado em: 21/10/2025 às 15:29 | Atualizado em: 21/10/2025 às 15:29

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) entrou na Justiça com processos (ações civis públicas) contra 33 postos de combustíveis de Manaus. As acusações são de práticas abusivas de preço da gasolina comum e suspeita de cartel na uniformização dos valores nas bombas.

Conforme o órgão, outros 10 processos estão em preparação para ajuizamento.

As ações, de autoria da 81ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa e Proteção dos Direitos do Consumidor (Prodecon), apontam reajustes expressivos e uniformes de preços considerados lesivos à coletividade.

As medidas foram adotadas após inquéritos civis instaurados em 2024 com base em fiscalizações realizadas pelo Procon-AM, em maio de 2023.

As pesquisas identificaram a adoção simultânea dos preços de R$ 5,99 e R$ 6,59 por diversos postos da capital, o que levantou suspeita de cartel no alinhamento de valores e restringiu a livre concorrência.

Reajustes simultâneos e dano coletivo

De acordo com a promotora de Justiça Sheyla Santos, titular da 81ª Prodecon, parte dos casos resultou em acordos e termos de ajustamento de conduta (TAC), mas nas situações em que não houve composição, o MP ingressou com ações judiciais.

Um dos casos envolve um posto localizado à avenida Carvalho Leal, bairro Cachoeirinha, zona sul de Manaus, para o qual o MP-AM requer indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 263 mil.

O documento cita reajuste simultâneo ao de outros estabelecimentos, o que teria prejudicado o consumidor e limitado a concorrência.

Indícios de cartel de empresas

As ações se baseiam no Código de Defesa do Consumidor, que proíbe elevação de preços sem justa causa e vantagem manifestamente excessiva.

O MP-AM anexou aos processos relatórios do Procon-AM e a nota técnica 33/2023 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que identificou “indícios de colusão [cartel] entre revendedores de gasolina comum em Manaus” entre 2021 e 2023.

Para o Ministério Público, a uniformização dos preços comprova a prática abusiva e causa prejuízo direto à coletividade.

As ações buscam responsabilizar judicialmente os postos e garantir indenização em favor dos consumidores afetados.

*Com informações do MP-AM.

Leia mais

Operação do MP e Receita mira crime organizado nos postos de gasolina

Com nova redução, preço do litro de gasolina a distribuidores cai para R$ 2,71

Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil