Brasil e EUA: Mauro Vieira se reúne com Marco Rubio na Casa Branca
Encontro em Washington deve discutir tarifas de exportação, sanções a autoridades brasileiras, cooperação mineral e tensões com China e Venezuela.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/10/2025 às 15:36 | Atualizado em: 16/10/2025 às 15:36
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, têm reunião marcada hoje (16) na Casa Branca, em Washington.
O encontro ocorre em meio a esforços de reaproximação diplomática entre os dois países, após meses de tensão e trocas públicas de críticas.
A agenda será ampla e sensível, abrangendo questões econômicas, políticas e geopolíticas. No centro das discussões está o “tarifaço” de até 50% imposto por Washington sobre exportações brasileiras, em vigor desde agosto, que afeta produtos como café, carne e aço, com impacto bilionário no comércio bilateral.
O Brasil tenta reverter ou suspender as tarifas, que prejudicam especialmente setores agrícolas e industriais. Já os EUA podem condicionar avanços a concessões comerciais, incluindo redução de barreiras não tarifárias e maior abertura de mercado.
Sanções e liberdade política
Outro ponto delicado da pauta é a Lei Magnitsky, usada pelos EUA para aplicar sanções a autoridades brasileiras, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As medidas incluem congelamento de bens e restrições de visto para o magistrado, familiares e pessoas próximas.
Rubio deve insistir em garantias de liberdade de expressão e anistia a presos políticos, além de defender o direito de participação eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O tema é considerado sensível pelo Itamaraty, que busca equilibrar as pressões externas com o respeito à soberania nacional e às decisões do Judiciário.
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Disputa por minerais estratégicos
O diálogo também deve abordar cooperação na exploração de minerais críticos, como lítio e terras raras, insumos essenciais para tecnologias verdes e de transição energética.
Os Estados Unidos querem acesso direto a reservas brasileiras, enquanto o governo Lula tenta garantir que as parcerias resultem em industrialização e investimentos locais, evitando a dependência externa e a simples exportação de matéria-prima.
Regulação das redes sociais e atritos sobre liberdade digital
Outro tema espinhoso é a regulamentação de plataformas digitais. As regras brasileiras, que preveem sanções a empresas como X (ex-Twitter) e Meta, são vistas por Washington como ameaças à liberdade de expressão.
Rubio, crítico das políticas de moderação de conteúdo, deve pressionar por desregulamentação, argumentando que tais medidas equivalem a “censura”. O Brasil, por sua vez, sustenta que a regulação é necessária para combater a desinformação e proteger a democracia, mas pode negociar flexibilizações em troca de avanços nas pautas comerciais.
Investimentos e geopolítica
Também estão previstos debates sobre a ampliação de acordos econômicos, investimentos em infraestrutura e energia, e o setor petroquímico. A reunião incluirá ainda discussões sobre juros, impactos das tarifas sobre o emprego e a possibilidade de um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, cogitado para ocorrer na Malásia ou no Brasil.
No campo geopolítico, Rubio deve pressionar o Brasil a reduzir a cooperação com a China, especialmente em projetos vinculados à Nova Rota da Seda, e a endurecer o tom contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela — pontos que refletem o esforço norte-americano para conter a influência chinesa na América Latina.
A reunião será um teste decisivo para a diplomacia brasileira, que tenta equilibrar interesses econômicos, soberania política e alianças estratégicas, num momento em que Washington busca redefinir sua presença na região.
*Com informações Último Segundo.
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados e U.S. Department of State
