Controle do comércio em cidades turísticas é novo negócio de facções
Facções extorquem ambulantes e aumentam atuação em Fortaleza e região metropolitana
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/10/2025 às 17:02 | Atualizado em: 15/10/2025 às 17:04
Fortaleza, um dos principais destinos turísticos do Nordeste, enfrenta um novo tipo de exploração: facções criminosas transformam o comércio na orla em negócio lucrativo.
Segundo relatos de comerciantes, ambulantes, feirantes e permissionários da avenida Beira-Mar foram coagidos a comprar produtos de fornecedores indicados por criminosos, sob ameaças de violência em caso de descumprimento.
Além disso, avisos foram enviados pessoalmente e via aplicativos de mensagem, incluindo alertas de morte. A área concentra cerca de 2.000 comerciantes autorizados, entre ambulantes, feirantes e permissionários, tornando o impacto das ações das facções ainda maior.
Em resposta, a Polícia Civil e Militar prendeu dois suspeitos ligados ao Comando Vermelho (CV), incluindo o coordenador do esquema, que também foi autuado por tráfico de drogas. Após essas prisões, comerciantes relataram redução das pressões, embora casos de roubo ainda ocorram.
O Governo do Ceará mantém operações contínuas para coibir a atuação das facções. Entre janeiro e agosto, foram realizadas 1.418 prisões de suspeitos ligados a grupos criminosos, um aumento de 61,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre essas ações, destaca-se a Operação Integração Saturação Total, iniciada em junho, que atua em bairros como Vicente Pinzón, próximo à Beira-Mar. No local, há disputa entre o CV e os Guardiões do Estado (GDE), e moradores relataram dificuldades em serviços de entrega e corridas por aplicativos, com trabalhadores sendo fotografados e monitorados pelos criminosos.
Além de Fortaleza, a atuação das facções se estende a cidades da região metropolitana, como Maracanaú, onde integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) ameaçaram líderes religiosos de umbanda e tentaram interferir em atividades de outras crenças. A Polícia Civil e Militar acompanha os casos para evitar novos ataques.
Apesar do risco, a área da orla de Fortaleza continua relativamente segura para turistas e comerciantes, graças a 144 câmeras de videomonitoramento e ao patrulhamento constante da Guarda Municipal e da Polícia Militar.
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
