Lula inicia pela Caixa, com atraso de 3 anos, a demitir apadrinhados do Centrão

Governo começa a cortar indicações políticas em estatais após derrota no Congresso e pressão por controle interno

Tem coisa errada no Planalto

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/10/2025 às 13:22 | Atualizado em: 15/10/2025 às 13:22

Após anos de acomodação com o Centrão, o governo Lula começou a desfazer a teia de indicações políticas que domina a Caixa Econômica Federal. O movimento ocorre no rastro da derrota de uma medida provisória estratégica na Câmara e sinaliza uma tentativa de retomar o controle do banco público.

Na sexta-feira (10 de outubro), foram demitidos José Trabulo Junior, ligado ao presidente do PP, Ciro Nogueira, e Rodrigo de Lemos Lopes, apadrinhado do vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ). Ambos ocupavam cargos de alto escalão na estatal.

A ofensiva ocorre sob o comando de Carlos Vieira, presidente da Caixa e indicado por Arthur Lira (PP-AL). A instituição ainda abriga outros nomes com vínculos políticos, revelados após determinação da Controladoria-Geral da União (CGU), que obrigou o banco a divulgar a lista de assessores não concursados.

Entre os que permanecem estão Maria Socorro Mendonça, ex-mulher do ministro Kassio Nunes Marques (STF), Mayara Santiago, filha do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), e Luiz Maurício Carvalho e Silva, advogado de Arthur Lira.

A Caixa afirma seguir normas de governança e compliance, mas a CGU ressaltou que a transparência é “essencial ao controle social”. Os consultores da presidência recebem cerca de R$ 40 mil por mês, e o governo vê nas demissões um primeiro passo para reduzir a influência do Centrão na máquina pública.

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil