Rios do Amazonas viram corredor de exportação da soja do agro de Roraima

Veja como empresa reduz custos e tempo do transporte rodoviário usando os rios Negro, Amazonas e Madeira.

Comboio soja Amazônia

Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/10/2025 às 19:41 | Atualizado em: 14/10/2025 às 20:22

O estado de Roraima inaugurou, na última sexta-feira (10 de outubro), um marco logístico com o primeiro embarque de soja pelo novo corredor hidroviário idealizado pela empresa Amaggi. A carga partiu da estação de transbordo de cargas em Caracaraí, pela BR-174, embarcou em balsas no rio Branco e navegou até o porto de Manaus (AM), pelo rio Negro, de onde seguiu pelo rio Amazonas até o terminal portuário da empresa em Itacoatiara (AM), de onde foi exportada.

Mais do que vias naturais, os rios se tornaram protagonistas no escoamento agrícola do estado.

O transporte fluvial representa uma verdadeira revolução logística: retirou 74% do tráfego rodoviário, reduziu desgastes nas estradas e cortou custos operacionais.

Agora, os grãos percorrem cerca de 900 quilômetros por água, do interior de Roraima até o porto graneleiro de Itacoatiara, de onde navios seguem até o oceano pelo rio Amazonas.

Cada balsa tem capacidade para transportar o equivalente a 40 caminhões, cerca de 2 mil toneladas de soja por viagem, e opera conforme o regime de cheias do rio Branco, transformando um desafio natural em oportunidade.

Além de eficiência, a nova rota fluvial amplia a sustentabilidade. A empresa estima reduzir em 35% as emissões de gases de efeito estufa em relação ao transporte rodoviário.

O corredor fluvial também fortalece a cadeia produtiva ao permitir que insumos agrícolas, como calcário e fertilizantes, cheguem em sentido inverso, com menor custo e maior alcance para pequenos produtores.

A expansão da agropecuária no estado reforça a importância da nova rota. A produção de grãos (soja, milho e arroz) cresceu 202,5% entre 2018 e 2025.

O avanço, aliado à regularização fundiária e aos programas voltados à agricultura familiar e indígena, impulsionou o PIB de Roraima, que registrou alta de 11,3% em 2022, e elevou as exportações para US$ 313 milhões em 2024, o maior crescimento proporcional do país.

Os principais destinos internacionais são Venezuela, Guiana e países da Europa e da Ásia, consolidando a soja como carro-chefe das vendas externas locais.

O exemplo de Roraima mostra que transformar os rios da Amazônia em corredores de desenvolvimento é mais do que uma solução logística, é um passo estratégico para integrar economia, meio ambiente e inovação no Brasil.

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Foto: divulgação