Crise dos compressores já causa demissões e pode fechar fábricas na ZFM

Em movimentação inédita, donos de fábricas de ar-condicionado foram ontem a Brasília pedir a quebra do monpólio que trava o aumento da produção do bem em Manaus

Crise dos compressores já causa demissões e pode fechar fábricas na ZFM

Neuton Corrêa, do BNC Amazonas

Publicado em: 09/10/2025 às 08:06 | Atualizado em: 09/10/2025 às 09:00

O impasse que impede o crescimento da produção de aparelhos de ar-condicionado na Zona Franca de Manaus (ZFM), segundo maior fabricante mundial do produto, atingiu o ápice nas últimas semanas. Fábricas do setor estão tomando decisões que só costumam tomar em casos extremos. Por exemplo, demissões, suspensão de contratações, férias coletivas e paralisação de investimentos.

O fechamento de fábricas e o desabastecimento do produto são cenários que se avizinham.

Pior é que pode parecer incongruência, pois as medidas extremas ocorrem num momento de alta procura por aparelhos. O segmento no Polo Industrial de Manaus, em 2024, foi o que mais cresceu no ano passado. Mais que isso: o mercado está escancarado para voos mais altos, pois dados do setor mostram que 80% dos brasileiros não possuem aparelhos de ar-condicionado.

O que está acontecendo?Monopólio

Com estabilidade jurídica, atrativos fiscais e com os verões atípicos de 2023 e 2024, a produção de ar-condicionado explodiu em Manaus. Melhor que isso: o ritmo não parou após a condição climática átipica. No entanto, os fabricantes de ar-condicionado esbarraram num problema, que se mostra intransponível.

Este problema se chama Tecumseh, fábrica de compressores, a peça mais importantes do produto. Ela fica em São Paulo e detém o monopólio das vendas do insumo para as 17 fábricas do segmento que se instalaram na Zona Franca de Manaus nos últimos anos. Entre essas marcas estão a Springer Midea, Samsung, LG, gigantes globais.

A Tecumseh conforma sua incapacidade no processo produtivo básico (PPB) que o país estabelece para que as empresas recebam incentivos fiscais do governo federal. Acontece que a fabricante Tecumseh não acompanhou a explosão do mercado nem se preparou a curto nem a médito prazo para atender as encomendas de Manaus.

Desespero

Foi esse impasse que levou as fábricas a pressionarem o governo para a quebra do monopólio da Tecumseh. O caminho que mais viável que apontam é importar os compressores até que o mercado local se ajude à demanda das fábricas.

Há risco do impasse provocar, em breve, um desabastecimento do produto no Brasil. Além disso, desemprego, queda de faturamento, apesar do bom momento.

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Sintomático

A situação é tão grave, descrita como gravíssima, que ontem, numa nova rodada reuniões do setor com o governo federal, até donos das empresas foram a Brasília. Na verdade, a ata do encontro contou 11 presidentes, vice-presidentes e fundadores das indústrias de ar-condicionado de Manaus. Normalmente, essas reuniões contam apenas com diretores de relações governamentais. Mas, dessa vez, os próprios donos e presidentes foram em busca de uma solução imediata.

Eles voltaram a dizer o que o governo já sabe. “A Tecumseh não tem condições de atender à demanda. Ainda assim, o PPB obriga as empresas a adquirir esse componente nacional, e, ao não conseguirem cumprir, são punidas com sanções severas que podem levar até ao fechamento das fábricas, sem qualquer culpa por parte delas”.

A ladainha foi rezada em conversa dos donos da fábricas com o secretário-executivo do Ministério da Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias.

Os presidentes e donos das empresas foram enfáticos ao afirmar que a situação é séria. Eles disseram também que a política atual do PPB tornou-se risco concreto de desemprego em massa e desinvestimento na ZFM.

A Eletros, associação que representante do setor, pediu que a obrigação de aquisição de compressor nacional seja ajustada à capacidade real de fornecimento da única fabricante instalada no país.

“Saímos com o compromisso do MDIC de buscar uma solução definitiva e estrutural que traga previsibilidade, segurança e mantenha a competitividade do setor e das empresas instaladas na ZFM”, resumiu Jorge Nascimento Júnior, presidente da Eletros.

Foto: reprodução