MP identifica imóveis ilegais em 5 de 7 parques ambientais do Amazonas
Levantamento do Ministério Público revela imóveis rurais sobrepostos em cinco parques estaduais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/10/2025 às 23:48 | Atualizado em: 07/10/2025 às 23:48
Um levantamento do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) revelou que cinco das sete unidades de conservação estaduais de proteção integral do estado apresentam imóveis rurais irregulares registrados dentro de seus limites.
O diagnóstico foi conduzido pelo Centro de Apoio Operacional de Proteção ao Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Urbanismo, com base em dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), sob gestão do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
As sobreposições foram detectadas nos parques
• Serra do Aracá (Barcelos),
• Guariba (Novo Aripuanã),
• Matupiri (Manicoré e Borba),
• Rio Negro (Novo Airão) e
- Sucunduri (Apuí).
Os únicos que não apresentaram irregularidades foram o parque estadual do Rio Negro, em Manaus, e o parque Sumaúma, também na capital.
Invasões corroem áreas
Segundo o MP-AM, a presença de imóveis particulares dentro de áreas protegidas compromete diretamente a integridade dos ecossistemas e a efetividade das políticas públicas de conservação.
O órgão elaborou mapas georreferenciados e encaminhou os documentos às promotorias de Justiça com atuação ambiental nos municípios afetados, para subsidiar medidas de responsabilização.
“A presença dessas irregularidades corrompe a plenitude das unidades de conservação, causando impactos negativos ao meio ambiente e à biodiversidade”, destacou o MP-AM em nota oficial.
Fiscalização e combate à grilagem
O promotor Carlos Sérgio Freitas, coordenador do centro de apoio, informou que a ação faz parte de uma estratégia de fortalecimento da atuação ambiental do MP-AM e que outras categorias de áreas protegidas também serão analisadas.
“A análise seguirá com a ampliação da checagem para outras unidades de conservação e áreas de interesse ambiental, visando coibir usos indevidos e sobreposições de propriedades rurais em territórios protegidos”.
Alerta sobre o avanço fundiário
As irregularidades identificadas reforçam um quadro preocupante de pressão sobre as unidades de conservação do interior do Amazonas, especialmente nas regiões sul e médio rio Madeira, onde o avanço da pecuária e da especulação fundiária tem sido constante.
Essas ocupações ilegais, segundo o MP-AM, ameaçam o equilíbrio ambiental e a sobrevivência de comunidades tradicionais que dependem diretamente dos recursos naturais dessas áreas.
Foto: MP-AM/divulgação
