Bolsonaro fora do jogo, Tarcísio sem rumo e o velho Lula de volta
Sem Bolsonaro e com Tarcísio fora do páreo, Lula aparece fortalecido e volta a ser o centro do cenário político brasileiro.
Por Neuton Corrêa*
Publicado em: 30/09/2025 às 21:05 | Atualizado em: 30/09/2025 às 21:25
A fotografia política do Brasil neste momento revela uma imagem com dois quadros distintos.
No primeiro, de uma direita sem barco para navegar forte e seguro até outubro do ano que vem.
No segundo, uma esquerda ainda mais ancorada na nau pilotada pelo presidente Lula da Silva, do PT.
Nesta semana, a direita, que já havia perdido o seu plano A para a sucessão presidencial que se avizinha, porque Bolsonaro está inelegível, condenado e preso, ficou também sem seu plano B.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, declarou que está pensando é na sua reeleição.
O deputado Eduardo Bolsonaro, segundo na linha sucessória da família, está fora do jogo.
Ele corre risco de perder o mandato por crime de lesa-pátria e não deve pisar no Brasil, com medo de ser preso. Seu caminho seguro, portanto, é continuar foragido nos Estados Unidos.
Michelle Bolsonaro também, sem o marido nas ruas, não tem força eleitoral e, pelo que tudo indica, nem capital pessoal para costurar alianças.
Os demais nomes da direita, como Romeu Zema, de Minas Gerais; Ronaldo Caiado, de Goiás; Ratinho Júnior, do Paraná; e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, ainda são barquinhos de papel.
Mas, esse barco à deriva da direita não perdeu apenas o seu comandante principal. Substancialmente, perdeu o combustível que usou desde 2013 para desgastar e derrubar o governo petista de Dilma Rousseff.
Esse combustível é o discurso anticorrupção, antiprivilégio e de uma estética tosca, supostamente desprendida de ambições desmedidas.
Esse combustível, que foi fortemente empregado na tentativa de desestabilizar o sistema democrático do Brasil, principalmente a Justiça eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF), na tentativa de evitar a eleição de Lula, depois sua posse e, por fim, sua derrubada, entornou de vez com a proximidade do julgamento de Bolsonaro e seus comparsas da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023
* O discurso em defesa da família se mostrou uma retórica válida apenas em favor do clã dos Bolsonaros.
* A pátria que defenderam nos últimos meses não foi a brasileira. A bandeira que a direita estendeu no dia da Independência do Brasil foi a dos Estados Unidos.
* A liberdade, da mesma forma, só para eles
Já a fotografia que captura a imagem de Lula mostra a redução do desgaste da esquerda que fortaleceu a direita desde as eleições de 2014.
Não à toa, no último dia 21 de setembro, os progressistas saíram às ruas em protesto contra as pautas da direita no Congresso Nacional.
Não foi uma ida em vão, os parlamentares se viram pressionados e não aprovaram a PEC da blindagem e deu mostras de recuar do projeto da anistia dos crimes de Bolsonaro e seus golpistas.
Lula amolecendo Trump
Neste momento, Lula também ganha o confronto com os Estados Unidos, no que diz respeito ao tarifaço que a direito, especialmente Eduardo Bolsonaro, estimulou Trump a impor contra o Brasil.
Lula não recuou do confronto com o colega norte-americano. Buscou mercados para além dos Estados Unidos e abriu novas portas para os produtos brasileiros, reforçando sua tese em defesa do multilateralismo.
O ponto alto do resultado desse confronto, até o momento, foi o encontro de Lula e Trump, na semana passada, na assembleia-geral da ONU.
Não foi apenas o encontro, foi uma alquimia.
O líder da potência americana disse que pintou um clima entre eles. E falou isso depois de Lula discursar que o Brasil não negocia as suas instituições e a sua soberania. E Trump assistiu e ouviu o que disse Lula.
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Popularidade em boa hora
As pesquisas de avaliação de governo, que devem sair a qualquer momento, podem ressaltar melhor o quadro dessas fotografias.
Antes desse cenário elas já revelavam melhora na performance do petista e, consequentemente, do governo de esquerda.
Como fez questão de mostrar no último domingo, em Brasília, o presidente está correndo, aos 80 anos de idade. Por enquanto, ele é o plano único do campo progressista.
Ilustração Gilmal
