Empresas no Amazonas lavavam bilhões para facções do tráfico de drogas

Megaoperação em quatro estados expõe uso de Manaus e Tabatinga como bases estratégicas do crime organizado

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 25/09/2025 às 22:43 | Atualizado em: 26/09/2025 às 09:06

Uma megaoperação integrada entre os ministérios públicos de Minas Gerais, Amazonas, Rio de Janeiro e Espírito Santo, por meio dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos), revelou o papel estratégico do Amazonas no abastecimento de facções criminosas em todo o país.

Deflagrada nesta quinta-feira (25 de setembro), a operação Custos Fidelis cumpriu 48 mandados de prisão e 84 de busca e apreensão em quatro estados, além do bloqueio de R$ 223,5 milhões em contas e criptoativos.

As investigações apontam que empresas de fachada em Manaus e Tabatinga funcionavam como verdadeiros hubs nacionais de aquisição e distribuição de drogas, movimentando valores que, somados, superam R$ 18 bilhões.

O esquema utilizava setores de gás, internet, câmbio e principalmente o comércio atacadista de pescados, aproveitando-se da logística amazônica e da fronteira internacional para mascarar operações ilícitas.

Em Manaus, quatro mandados foram cumpridos em empresas sob suspeita de lavar dinheiro para o crime.

Em Tabatinga, cidade fronteiriça com a Colômbia e o Peru, foi registrada uma prisão.

Nomes de empresas e de suspeitos não foram divulgados pelo comando da operação.

A “empresa do crime”

De acordo com as apurações, a Família Teófilo Otoni (FTO), braço do Comando Vermelho (CV), operava com estrutura comparada a uma corporação empresarial.

O grupo mantinha núcleos especializados em logística, finanças e ataques armados, e fazia uso intensivo de criptoativos para ocultar a origem e a destinação dos recursos.

Na ofensiva, foram ainda apreendidos oito veículos e determinada a indisponibilidade de um imóvel de luxo avaliado em R$ 3,9 milhões, localizado na praia do Patacho (AL), evidenciando a sofisticação do esquema.

Atuação integrada

Segundo Leonardo Tupinambá, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (Caocrimo), a cooperação entre os estados foi decisiva:

“Empresas de fachada localizadas no Amazonas funcionavam como hubs nacionais de aquisição de drogas, abastecendo facções em diversos estados. A atuação conjunta dos Gaecos permitiu identificar depósitos pulverizados e a ocultação de valores por meio de criptomoedas, o que reforça a eficácia da integração no combate ao crime organizado”.

O esquema

– Quem é a FTO: facção com origem em Minas Gerais, braço direto do Comando Vermelho.

– O que foi apreendido: R$ 223,5 milhões bloqueados, oito veículos e um imóvel de luxo em Alagoas.

– O papel do Amazonas: base estratégica de empresas de fachada em Manaus e Tabatinga, usadas para abastecer facções em outros estados.

Foto: MP-AM/divulgação