Mudança na previdência de Manaus gera protesto e ameaça de greve de professor
Professores protestam contra projeto que eleva idade mínima e endurece regras de aposentadoria.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/09/2025 às 11:41 | Atualizado em: 24/09/2025 às 11:43
Professores da rede pública municipal de Manaus realizaram uma paralisação de advertência e protesto, nesta quarta-feira (24 de setembro), em frente à câmara de vereadores contra o projeto de lei da prefeitura que altera as regras da previdência social dos servidores da educação.
A manifestação foi organizada pelo Asprom Sindical e contou com adesão de docentes dos três turnos, provocando suspensão de aulas em várias escolas.
Faixas e cartazes traziam frases como “Aposentadoria não é favor, é direito do professor”.
Em discursos inflamados, líderes da categoria afirmaram que a proposta impõe condições que podem levar profissionais a “morrer trabalhando” antes de cumprir os requisitos.
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O projeto da insatisfação
Encaminhado em 27 de agosto, o texto elaborado pela Manaus Previdência (Manausprev) busca, segundo a prefeitura, equilibrar as contas do regime próprio em conformidade com a emenda constitucional.
O órgão estima que, sem a reforma, o sistema pode acumular déficit de R$ 938 milhões até 2038.
Entre os principais pontos da proposta estão:
- Idade mínima: sobe de 60 para 65 anos (homens) e de 55 para 62 anos (mulheres);
- Tempo de contribuição: mínimo de 25 anos para ambos os sexos;
- Professores: homens precisarão comprovar 30 anos de atividade e mulheres, 25;
- Serviço público: exigência de 10 anos de efetivo exercício e cinco no cargo atual;
- Regra de cálculo: aposentadoria inicia em 70% da média contributiva, com acréscimos progressivos;
- Pensão por morte: parte de 70% da cota familiar, com adicionais por dependente.
As regras atingem apenas os servidores que ingressaram após 31 de dezembro de 2003.
Reações e críticas
Para os professores, a prefeitura não apresentou provas concretas de déficit que justifiquem mudanças tão severas.
Entidades classificaram a proposta como “escravidão moderna” e acusaram a gestão de usar o tema em ano pré-eleitoral para pressionar a base parlamentar.
O vereador José Ricardo Wendling (PT) esteve no ato e cobrou a retirada imediata do projeto: “Retira já, prefeito David Almeida”.
Próximos passos
Embora ainda não tenha entrado formalmente na pauta de votação, os sindicatos já aprovaram indicativo de greve caso a matéria avance sem diálogo.
Uma assembleia foi convocada para a noite desta quarta-feira (24) a fim de deliberar sobre a radicalização do movimento.
Com forte mobilização de servidores e crescente desgaste político, a reforma da previdência municipal deve se tornar um dos temas centrais das próximas semanas.
Foto: reprodução/Rede Amazônica
