Tragédia no rio Negro expõe imprudência e falhas de segurança

Colisão entre jet ski e voadeira deixa três mortos e levanta debate sobre navegação noturna.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 22/09/2025 às 11:55 | Atualizado em: 22/09/2025 às 13:03

Uma tragédia marcou a noite de sábado (20 de setembro) no rio Negro, em Manaus. Um jet ski conduzido pelo empresário Robson Tiradentes colidiu com uma voadeira, deixando três mortos de uma mesma família. Os corpos foram encontrados no domingo.

O empresário, que também ficou ferido, foi submetido a cirurgias na bacia e no rosto.

Em seu programa “Manhã de Notícias” desta segunda-feira, o jornalista Ronaldo Tiradentes, irmão do empresário, narrou os acontecimentos que antecederam o acidente e pediu cautela contra conclusões precipitadas.

“É uma tremenda injustiça fazer pré-julgamento. A perícia da Marinha e do estado vai apontar o que realmente aconteceu”, afirmou.

Cautela contra acusações

Ronaldo rebateu versões divulgadas em redes sociais e sites sensacionalistas, que atribuíram ao irmão suposta embriaguez.

“Vocês ouviram a voz dele nos áudios: estava em plena lucidez, procurando a família. É mentira dizer que estava bêbado ou drogado”.

Ele destacou ainda que as vítimas da voadeira não usavam coletes salva-vidas, reforçando a gravidade da situação.

“Nenhum corpo estava com colete. Se estivessem, todos teriam se salvado. Foi um choque no bico da lancha, não na área dos passageiros.”

Para o jornalista, a tragédia se enquadra na possibilidade de “culpa concorrente”, quando há imprudência de ambas as partes.

“Andar de jet à noite é proibido. Mas, também é proibido navegar com passageiros em canoa sem iluminação e sem colete. É preciso reconhecer os dois lados”.

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Pane, buscas e condições adversas

Segundo Ronaldo, o passeio da família começou ainda à tarde, quando o jet ski apresentou uma pane na região do Açutuba. O problema foi resolvido, mas já próximo da noite o grupo se desorientou ao confundir as entradas da praia do Iluminado e do lago do Acajatuba.

Na tentativa de buscar socorro, parte da família ficou à deriva em um bote sem bateria, enquanto Robson saiu sozinho no jet ski à procura de ajuda.

“Ele não estava em lazer, mas em uma situação de urgência, tentando encontrar a filha de seis anos e a esposa”, afirmou o jornalista, que expôs áudios do desespero do irmão .

A navegação, contudo, aconteceu sob condições totalmente adversas: noite escura, sem iluminação natural, em área desconhecida pelo empresário.

“Um jet ski é um veículo para uso diurno, assim como uma canoa sem sinalização não deveria estar navegando à noite”, afirmou Ronaldo para falar da imprudência de ambos os condutores de embarcações.

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Tragédia no rio Negro: o que se sabe

Linha do tempo (síntese)

  • • 14h30 (sáb., 20.set) — Robson sai de jet ski com esposa e filha (3 lugares, todos de colete) rumo à praia do Iluminado.
  • • 15h — Pane no Açutuba; Rubens vai ao resgate, mas sem a senha da antena (sem comunicação). Jet volta a funcionar; esposa e filha seguem no bote.
  • • 16h30–17h — Grupo erra a entrada e entra no lago do Acajatuba; bote fica sem bateria. Robson parte sozinho para buscar ajuda.
  • • Noite — Vento e correnteza deslocam o bote; Robson inicia buscas em área que não conhecia, com lanterna e baixa velocidade (segundo testemunha local).
  • • 20h — Áudios de Robson relatam escuridão, risco e dificuldade de localizar a família; pede rádio.
  • • 21h — Contato no canal 16 e, depois, via Starlink/WhatsApp; posição indica distância de ~2,5 km.
  • • 21h30–22h — Família localizada no bote em área de mata; todos rebocados ao flutuante/bar Sunset (base).
  • • 22h+ — Nova busca por Robson; ele é encontrado ferido, já socorrido por terceiros; jet rebocado.
  • • Dom. (21.set) — Confirmadas três mortes na outra embarcação (voadeira); corpos encontrados.

Fatos relacionados

  • • Comunicação: falhou no início por ausência da senha da antena; depois houve rádio (canal 16) e Starlink/WhatsApp.
  • • Condições: noite muito escura, com vento e correnteza deslocando o bote.
  • • Segurança: no jet, todos de colete; na outra embarcação, vítimas sem colete (segundo relato).
  • • Impacto: colisão no bico/proa da voadeira (não na área dos passageiros).

Riscos e normas

  • • Jet ski à noite: proibido — mesmo em contexto de socorro.
  • • Canoa/lancha à noite sem luz: proibido — exige sinalização e colete para todos.
  • • Hipótese jurídica: possibilidade de culpa concorrente (imprudência em ambos os lados) a ser confirmada por laudos. “Minha família está consternada e solidária à outra família que perdeu entes queridos. É um momento de dor. Por isso, peço cautela. Não julguem antes da hora” , apelou Ronaldo.

Veja a narrativa completa no vídeo abaixo:

Foto: divulgação