Evanovick sucede geração histórica no comando do PCdoB-AM

Na onda conservadora anticomunismo, Yann Evanovick assume o partido com a missão de fortalecer a sigla até 2027 e de conduzir o processo eleitoral 2026

Neuton Corrêa, do BNC Amazonas

Publicado em: 20/09/2025 às 17:58 | Atualizado em: 20/09/2025 às 18:12

Congresso estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que começou na sexta-feira, 19, se encerrou na tarde deste sábado, 20, com uma mudança histórica na direção da sigla.

A mudança acontece com a escolha do líder estudantil Yann Evanovick, 35 anos, para assumir a presidência estadual do partido. 

Ele faz parte da cúpula do MEC. Em 2023, foi nomeado coordenador-geral de Políticas Educacionais para as Juventudes no Ministério da Educação.

Evanovick começou sua história política como líder estudantil aos 14 anos. Aos 19 anos, ele assumiu a direção da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

Em 2016, ele foi vice na chapa do então deputado federal José Ricardo (PT), em disputa pela Prefeitura de Manaus.

Mudança histórica 

A mudança é histórica no PCdoB. Ele sucede a geração de comunistas que atuou na sigla na clandestinidade, durante a ditadura militar. Foi essa geração que refundou a legenda na reabertura democrática do Brasil, mas que, também, em mais de 40 anos, não permitiu a entrada das sucessivas gerações de jovens que passaram pela legenda.

Os grandes nomes do PCdoB no período foram o casal Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin. Eles tanto lideraram o partido como também ocuparam os principais mandatos públicos: senadora, deputado e deputada federal, deputado estadual e vereadora.

Yann também entra num momento delicado do partido e do comunismo no mundo. No Brasil, as ideias comunistas são alvo de ataques da extrema direita, da direita e do bolsonarismo. Mundo afora, enfrenta a onda conservadora que tem como principal expoente o presidente dos EUA, Donald Trump.

PCdoB no Amazonas

No Amazonas, o PCdoB perdeu a vaga que teve no Parlamento estadual durante 20 anos com Eron Bezerra. A última representante da agremiação no cargo foi Alessandra Campelo, que trocou o PCdoB pelo MDB. Hoje, ela está no Podemos. O partido também ficou sem representante na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Cenário nacional

Em âmbito nacional, o PCdoB teve seu momento forte entre 1990 e 2000. O partido chegou a ter bancadas expressivas na Câmara dos Deputados e presença marcante em governos de coalizão do PT (2003–2016).

Em 1998, elegeu 10 deputados federais.

Depois, em 2002, alcançou 12 deputados.

Na eleiçao de 2010, chegou a 15 deputados federais, seu maior número na história recente.

O partido teve figuras de destaque nacional como Aldo Rebelo (chegou a presidir a Câmara dos Deputados em 2005) e Manuela D’Ávila, liderança jovem que disputou a presidência em 2018 como vice de Fernando Haddad (PT).

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Declínio da representação

O partido começou a perder espaço eleitoral a partir de 2014 e principalmente depois de 2016 (com o impeachment de Dilma Rousseff e a crise da esquerda tradicional).

Em 2018, conseguiu apenas 9 deputados federais. Em 2022, o PCdoB não alcançou sozinho a cláusula de barreira e passou a se federar com o PT e o PV para manter funcionamento parlamentar.

Hoje, a legenda não tem bancada própria expressiva e atua dentro da Federação Brasil da Esperança (PT–PCdoB–PV).

Missão de Yann 

Entre as metas do PCdoB para 2026 estão contribuir ativamente para a reeleição do presidente Lula, retomar assentos na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

Ele também terá que atuar para fortalecer a disputa ao Senado e ao Governo do Estado no campo da esquerda no Amazonas.

“Precisamos reeleger Lula e retomar mandatos comunistas e progressistas que ajudem a colocar na pauta as mudanças de que o povo precisa, como geração de emprego e renda, defesa da Amazônia, valorização da educação e combate às desigualdades”, afirmou Yann.

Breve currículo

Yann Evanovick Leitão Furtado iniciou sua militância política com 14 anos e chegou a presidir a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a maior organização estudantil secundarista do País.

É professor, historiador formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), curador de Arte e pós- graduado em museologia, colecionismo e curadoria pela Belas Artes de São Paulo.  

Já atuou como consultor da Organização  das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO), na Organização dos Estados Ibero-Americanos  (OEI).

Atualmente é Coordenador Geral de Políticas Educacionais para as Juventudes no Ministério da Educação-MEC.

Foto: divulgação