Fraude de diplomas de mestres e doutores segue fazendo estrago no Brasil

Investigação em município de Pernambuco aponta que mais da metade de diplomas dos professores são falsos

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 16/09/2025 às 10:34 | Atualizado em: 16/09/2025 às 10:34

Mais da metade dos professores do ensino fundamental de Brejo da Madre de Deus, no agreste de Pernambuco, é suspeita de usar diplomas falsos de mestrado e doutorado para avançar na carreira.

A Procuradoria-Geral do Município revelou que 232 dos 432 docentes da rede pública, o equivalente a 53,7%, estão sob investigação. Apenas três diplomas foram revalidados por universidades brasileiras e pela Unicamp.

As denúncias surgiram em 2024, ligadas ao ESL – Centro Educacional, de Campina Grande (PB). A instituição foi alvo de uma operação da Polícia Civil da Paraíba contra as chamadas “fábricas de diplomas”.

Em Brejo, a prefeitura abriu inquéritos administrativos, acionou o Ministério Público e já exonerou sete professores.

A procuradora-geral Anna Karolina Pinto Thaumaturgo defende um “olhar crítico” para diferenciar quem participou do esquema e quem foi vítima:

“É preciso punir quem realmente participou e proteger quem agiu de boa-fé”.

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O caso se agravou com a descoberta de que 70% dos cursos de mestrado apresentados vinham da suposta Veni Creator Christian University, na Flórida. Os professores que apresentaram esses diplomas foram notificados a revalidá-los em universidades federais.

As fraudes representam perdas significativas aos cofres públicos, já que garantiram progressões salariais com base em títulos inexistentes e multiplicaram os custos judiciais.

O Tribunal de Justiça de Pernambuco passou a aceitar apenas diplomas revalidados pela Unicamp e pela UFPE, após uma série de ações envolvendo certificados falsos.

Para o delegado da Polícia Civil da Paraíba, Francisco Iasley Lopes de Almeida, o esquema segue o modus operandi do estelionatário.

“Quanto mais confusão for gerada, melhor para o estelionatário”, disse.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil