De olho no mercado, Guiana investe R$ 5 bi em 500 km de estrada até Roraima
Super-rodovia com 50 pontes vai reduzir rota de 21 dias para 48 horas e acessar mercado de 20 milhões de brasileiros
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 14/09/2025 às 13:54 | Atualizado em: 14/09/2025 às 14:03
A Guiana está construindo uma super-rodovia de 500 km que conectará Georgetown, sua capital, à fronteira com Roraima. O investimento, estimado em R$ 5 bilhões, inclui cerca de 50 pontes e promete reduzir o transporte de mercadorias de até 21 dias para apenas 48 horas, abrindo o caminho para o mercado de 20 milhões de consumidores no Norte do Brasil.
O novo corredor rodoviário se integrará à ponte sobre o rio Tacutu, já ligando Lethem a Bonfim, e a um porto de águas profundas em Palmyra, ainda em implantação.
Essa rede de infraestrutura encurtará o escoamento de cargas pelo Atlântico e diminuirá também o tempo médio da viagem entre Georgetown e Lethem, hoje de até 15 horas.
O projeto está dividido em quatro trechos e prevê a substituição de antigas pontes de madeira por estruturas de concreto. Um dos pontos críticos será resolvido em Kurupukari, onde a travessia por balsa no rio Essequibo dará lugar a uma ponte de pista dupla.
A etapa mais avançada, entre Linden e Mabura Hill, de 121 km, está sob responsabilidade da construtora brasileira Queiroz Galvão, com financiamento do Banco de Desenvolvimento do Caribe e apoio do Reino Unido.
Petróleo e desafios
O avanço da economia guianense, impulsionado pela produção de petróleo, explica a urgência da super-rodovia.
Em 2024, o PIB do país cresceu 43,6%, e as reservas offshore já somam até 18,7 bilhões de barris recuperáveis, segundo estimativas da S&P Global.
Com isso, a rodovia é vista como estratégica não apenas para ampliar exportações e atrair investimentos, mas também para reforçar a presença do Estado em áreas remotas e sensíveis, como o Essequibo, território reivindicado pela Venezuela.
Mesmo assim, o projeto, enfrenta desafios. A travessia por rios de grande porte exige soluções de engenharia complexas, e trechos sujeitos a alagamentos pedem adaptações técnicas.
Além disso, especialistas apontam a necessidade de contrapartidas sociais e de qualificação da mão de obra local para que os benefícios do crescimento não fiquem restritos a poucos setores.
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Foto: Divulgação
