Amazônia: Tomé-Açu, um caso de sucesso da presença japonesa na floresta

Imigrantes japoneses transformaram desafios em agricultura sustentável, unindo tradição ancestral e conhecimento local

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/09/2025 às 11:22 | Atualizado em: 14/09/2025 às 11:27

No coração da Amazônia paraense, a região de Tomé-Açu se tornou referência em agricultura sustentável graças à comunidade de imigrantes japoneses. Há quase um século, essas famílias transformaram dificuldades em inovação, criando um modelo de convivência harmoniosa com a floresta.

A presença japonesa começou em 1929, quando o então governador do Pará, Dionísio Bentes, atraiu famílias para ocupar 600 mil hectares de terras.

A imigração fazia parte de um acordo bilateral entre Brasil e Japão, com o objetivo de suprir a demanda por mão de obra agrícola e aliviar a pobreza rural japonesa.

As primeiras famílias enfrentaram enormes desafios, desde casas simples até a alimentação desconhecida. Inicialmente, cultivavam verduras pouco consumidas localmente. Com o tempo, prosperaram com a monocultura da pimenta-do-reino, que trouxe riqueza e desenvolvimento, permitindo a construção de casas maiores e a aquisição de caminhões.

No entanto, nos anos 1970, uma praga devastou as plantações, mergulhando a comunidade em profunda crise.

Para superar essa adversidade, os agricultores se inspiraram na diversidade da floresta e no conhecimento dos ribeirinhos, dando origem ao sistema agroflorestal de Tomé-Açu (Safta).

O modelo Safta integra diferentes espécies em um mesmo terreno, recupera áreas degradadas, garante renda durante todo o ano e atrai novamente animais silvestres, tornando Tomé-Açu uma referência mundial em práticas agrícolas sustentáveis.

Cultura, sustentabilidade e preservação

O sucesso do Safta também se apoia no princípio japonês de mottainai, que valoriza o aproveitamento total dos recursos.

Dessa forma, cascas de cacau, folhas e galhos viram adubo natural, restos de frutas fertilizam o solo e o uso de agrotóxicos é minimizado, resultando em produção orgânica.

Hoje, Tomé-Açu conta com cerca de 67 mil habitantes, e a presença japonesa permanece viva em restaurantes, templos budistas e na fala cotidiana. O município segue oferecendo uma lição de produção sustentável e respeito à floresta.

Saiba mais na reportagem de Laura Vieira da Xataka Brasil.

Foto: Divulgação