Voto de Fux desmente tese dos bolsonaristas de que o Brasil vive ditadura

Para o professor Plinio César Coelho, o voto do ministro Luiz Fux mostra que narrativa bolsonarista da ditadura não se sustenta na realidade

Voto de Fux desmente tese dos bolsonaristas de que o Brasil vive ditadura

Por Plinio César Coelho*

Publicado em: 11/09/2025 às 14:20 | Atualizado em: 11/09/2025 às 14:20

A votação do ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal (STF) não deve ser vista como um ato isolado. Ela serve como uma prova irrefutável de que o Brasil não vive a ditadura que os bolsonaristas imaginam.

A essência do voto de Fux é que ele foi um ato de liberdade, mostrando que um ministro tem o poder de votar de um modo ou de outro, sem que haja uma imposição dentro de qualquer poder.

Essa liberdade de decisão é o oposto do que aconteceria em uma ditadura.

Em um regime autoritário, seja ela “de toga” ou militar, não haveria espaço para o dissenso. As decisões seriam unânimes ou impostas por força, sem a possibilidade de voto individual que contrarie o poder.

Liberdade de expressão e de ação: a prova irrefutável

Para desmistificar a narrativa bolsonarista de ditadura, basta olhar para os fatos.

O voto de Fux é apenas um dos exemplos. Recentemente, no feriado de 7 de Setembro, vimos o governador de São Paulo falar mal do STF e de ministros em praça pública. Vimos também o “pastor” Silas Malafaia, um “líder religioso”, subir em palanques para criticar o governo.

Esses eventos seriam impensáveis em uma ditadura de verdade. A liberdade de um governador criticar o Judiciário, ou de um “líder religioso” usar um palanque para atacar o governo, é a maior prova de que as instituições democráticas estão funcionando.

A narrativa bolsonarista da ditadura não se sustenta na realidade. Quem vive dentro de uma bolha e não sabe o que é uma ditadura de verdade, não entende que a existência do voto do ministro Fux e a liberdade de expressão de seus críticos são, na verdade, a maior prova de que a democracia brasileira, com todos os seus defeitos, continua viva.

*O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.

Foto: Rosinei Coutinho/STF