Amazônia: Lula diz que força da lei do Estado vai ser restituída contra crimes
Em Manaus, um recado a Trump: países amazônicos repudiam intervenção estrangeira.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/09/2025 às 15:42 | Atualizado em: 09/09/2025 às 15:42
O presidente Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (9) que os países amazônicos não precisam de intervenções estrangeiras para enfrentar o crime organizado na Amazônia.
A declaração foi feita durante a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus, que reunirá forças de segurança do Brasil e de países vizinhos no combate a crimes transnacionais.
Segundo Lula, o novo espaço simboliza a presença do Estado em áreas onde o crime avançou pela ausência de políticas públicas.
“Não existe espaço vazio: o crime ocupa os lugares que o Estado não preenche. Nossa missão é restituir a força da lei pela presença do Estado. É isso que simboliza esse centro”, disse.
Críticas a intervenções externas
Em seu discurso, o presidente criticou iniciativas militares estrangeiras na região, como a presença de navios de guerra dos Estados Unidos próximos à costa da Venezuela. Para ele, tais medidas servem de pretexto para interferências externas.
“É a primeira vez na história da Amazônia que tantos atores se reúnem no mesmo espaço físico em torno de um objetivo comum. Não precisamos de intervenções estrangeiras, nem de ameaças à nossa soberania. Somos capazes de ser protagonistas das nossas próprias soluções. As palavras-chave são: ação integrada e cooperação”, afirmou.
Meio ambiente e crime organizado
Lula destacou ainda que a preservação da floresta depende do enfrentamento direto ao crime organizado, especialmente contra atividades ilegais como garimpo e desmatamento.
Além disso, ele citou que, apenas em 2024, o governo brasileiro apreendeu mais de US$ 250 milhões em bens de acusados de crimes ambientais e inutilizou US$ 60 milhões em maquinários usados em garimpos ilegais.
“Não podemos permitir que moradores de periferias, povos indígenas e comunidades ribeirinhas vivam sob violência enquanto os endinheirados ficam impunes. Estar ao lado do povo amazônico requer ação firme e decisiva contra o crime”, afirmou.
Petro alerta para riscos à Venezuela
Convidado por Lula para o evento, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a cooperação entre países da região e alertou para o risco de escalada de tensões com a presença militar norte-americana próxima à Venezuela.
“Se a floresta é salva, salva-se também a humanidade. Agora, a Venezuela está sob ameaça. Um barco foi alvejado no Caribe sem que se saiba se transportava drogas. Não podemos ficar calados. Precisamos falar de igual para igual com os EUA”, declarou.
Petro relacionou o episódio à exploração de petróleo na região e criticou o que chamou de contradição entre capital e vida. “A América Latina não é território para ser bombardeado por ninguém. É a região da vida, o centro vital do planeta”, disse.
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Inteligência integrada
Sob coordenação do Brasil, o CCPI Amazônia funcionará como núcleo de inteligência para os nove países amazônicos e os estados da Amazônia Legal, com apoio da Interpol, Europol e Ameripol.
Dessa maneira, o objetivo é articular operações contra crimes ambientais, tráfico de drogas, armas e pessoas.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, destacou que organizações criminosas atuam em escala internacional, exigindo resposta articulada entre países.
Com isso, ele anunciou que o Parlamento Europeu aprovou o acordo operacional da PF com a Interpol, tornando o Brasil o único país latino-americano com esse reconhecimento.
Na ocasião do evento, em mensagem em vídeo, o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, classificou a inauguração como um marco histórico.
“O CCPI Amazônia nasce como resposta corajosa a desafios que ameaçam tanto a segurança quanto a sustentabilidade desse patrimônio único. Este centro envia ao mundo uma mensagem clara: estamos comprometidos com a proteção da floresta e das comunidades que nela vivem”, afirmou.
*Com informações da Agência Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/PR
