PF faz operação contra garimpo ilegal no Amazonas e mais três estados
Operação Ouro Negro combate garimpo ilegal em terra ianomâmi com buscas, apreensões e bloqueio de R$ 265 milhões.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 08/09/2025 às 18:18 | Atualizado em: 08/09/2025 às 18:19
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (8/9), a operação Ouro Negro para combater o garimpo ilegal na terra indígena ianomâmi.
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão no Amazonas, Roraima, São Paulo e Rio de Janeiro.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 265 milhões em valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas envolvidas no esquema.

De acordo com a PF, uma perícia apontou irregularidades em processos ambientais usados para “esquentar” o minério.
A investigação apura um esquema de facilitação na emissão de licenças ambientais fraudulentas com o objetivo de legalizar a extração ilegal de minério.
A investigação apura um esquema de facilitação na emissão de licenças ambientais fraudulentas com o objetivo de legalizar a extração ilegal de minério.
Operação Libertação
A ação faz parte da operação Libertação, em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 709, que determina medidas para a desintrusão da terra indígena ianomâmi.
Desintrusão é a retirada de pessoas não-indígenas que estão ocupando ilegalmente uma terra indígena homologada, visando proteger e garantir os direitos dos povos originários ao seu território ancestral.
Portanto, uma ação legal que assegura a posse efetiva da terra e combate atividades ilegais como desmatamento e grilagem.
Assim após redução de 98% das áreas de garimpo, a operação de desintrusão na terra ianomâmi foca na asfixia econômica do mercado que abastece a atividade
Além disso, a ação integrada para combater o garimpo ilegal e proteger os povos indígenas vem apresentando resultados expressivos entre 2023 e 2025.

Combate à logística
Em agosto, a Casa Civil, da Presidência da República, informou que o governo federal já realizou 6.425 ações e impôs R$ 477 milhões em prejuízo ao garimpo ilegal na terra indígena.
Foi realizada ainda apreensão recorde de 103 quilos de ouro perto de Boa Vista (RR). Com essa ação, o número de apreensões pelas forças federais alcançou 138 quilos, avaliados em R$ 82,2 milhões.
Houve também a destruição de 627 acampamentos, 207 embarcações, 101 balsas e 29 aeronaves, além de mais de 112 mil litros de diesel e 12 mil litros de gasolina inutilizados. Também foram destruídas 59 pistas de pouso clandestinas.
“O governo Lula estabeleceu um marco histórico nessas ações integradas, garantindo saúde, diálogo e segurança para os povos indígenas e a população de Roraima”, afirmou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
Crise humanitária
Entre 2021 e 2022, no governo Bolsonaro, a terra Indígena ianomâmi enfrentou uma das maiores crises desde sua demarcação em 1992.
O garimpo ilegal avançou rapidamente, impactando a saúde, o meio ambiente e a segurança das comunidades.
A redução da fiscalização e a fragilização das estruturas de proteção agravaram a crise humanitária.
O avanço do garimpo gerou aumento nos casos de malária, picos de covid-19 em comunidades isoladas, contaminação por mercúrio, conflitos e violência sexual.
Do mesmo modo, a presença dos invasores afastou a fauna, dificultando a caça e pesca tradicionais, enquanto o mercúrio contaminava os rios, elevando a desnutrição.
Fotos: divulgação
