Propina liga senador Ciro Nogueira ao crime organizado e Faria Lima
Investigação do ICL aponta propina ao aliado de Bolsonaro antes da megaoperação; Nogueira nega
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 01/09/2025 às 19:17 | Atualizado em: 01/09/2025 às 19:35
A reportagem do ICL Notícias colocou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do partido Progressistas (PP) no centro de um escândalo que mistura crime organizado, mercado financeiro e poder político.
Uma testemunha à Polícia Federal afirma que o parlamentar recebeu propina em espécie de operadores ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em um esquema ancorado no maior centro financiero do país, na avenida Faria Lima, em São Paulo, e revelado parcialmente pela megaoperação Carbono Neutro.
A apuração jornalística começou antes da deflagração da operação e aponta que o repasse da propina, em agosto de 2024, teria sido feito por Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), para favorecer interesses junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e em pautas sensíveis no Senado, como o projeto sobre “devedor contumaz”.
Áudio expõe diálogo com mercado
O caso ganha contornos ainda mais comprometedores com a divulgação recente de um áudio atribuído a Ciro Nogueira, durante reunião com investidores, possivelmente no auditório do BTG Pactual.
No registro, o senador bolsonarista critica o governo Lula e sugere revisar a isenção do Imposto de Renda, dizendo:
“Temos que ver a questão da compensação”.
O vazamento reforça, para críticos, a percepção de alinhamento com interesses do mercado financeiro, ao mesmo tempo em que enfrenta acusações de ligação com operadores do crime organizado.
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Um partido bilionário
Além de responder pela própria defesa, Nogueira é presidente do Progressistas (PP), partido em processo de fusão com o União Brasil para disputar as eleições de 2026.
A união das siglas deverá controlar fundos bilionários para campanhas e emendas parlamentares, concentrando ainda mais poder político e financeiro nas mãos de poucas lideranças.
Essa circunstância aumenta o peso institucional das denúncias e acende alertas sobre a influência de recursos de origem suspeita na política nacional.
Versão do senador
Ciro Nogueira, que foi ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, nega todas as acusações e afirma estar aberto a investigação.
Em ofício ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, pediu a atuação imediata da Polícia Federal e disponibilizou seus sigilos telefônico, de comunicações e de gabinete.
Solicitou ainda o acesso a registros e imagens para comprovar que não se encontrou com os acusados.
Tentando menosprezar o poder da investigação jornalística, Nogueira chamou o ICL de “milícia digital da esquerda” e disse ter “a consciência tranquila e a verdade ao meu lado”.
Falhas e impunidade
O caso expõe a fragilidade do sistema político brasileiro frente a suspeitas de infiltração do crime organizado em estruturas de poder.
A investigação envolve não apenas um senador influente, mas também um partido que se prepara para ser protagonista nas próximas eleições, com acesso a vultosos recursos públicos.
A lentidão de respostas institucionais, sem manifestação imediata do Senado, por exemplo, reforça a percepção de impunidade para agentes políticos de alto escalão, mesmo quando denúncias conectam corrupção, lavagem de dinheiro e facções criminosas.
A denúncia contra Ciro Nogueira é mais do que um caso pessoal: é um teste para medir a capacidade do Estado brasileiro de agir contra crimes que atravessam o eixo política–mercado–crime organizado.
Foto: Pedro França/Agência Senado
